Segunda-feira, Abril 06, 2009

The Night Is Ours – Youth Group

     Youth Group – The Night Is Ours (2008)

     Este grupo australiano ficou conhecido por uma cover de Forever Young dos Alphaville e, desde então, não se limitaram a dormir à sombra das críticas positivas de que foram alvo. Antes pelo contrário: quando fizeram este último disco, só melhoraram a sonoridade.

     Quem conhecer Spiritualized, vai aperceber-se com toda a certeza das semelhanças entre a primeira canção deste disco e a primeira de Ladies And Gentleman, We’re Floating in Space. Ambas são canções de abertura magistrais, não muito longas e de epílogo. Vão crescendo, crescendo e têm finais maravilhosos, cheios de intensidade. A partir daí, e durante 10 canções, este disco assume-se como um festim de boa música.

     The Night Is Ours será o título perfeito. É um disco nocturno, de rock melancólico (tem momentos em que lembra Pulp), com canções que obedecem a uma estrutura pop standard (estrofe  – refrão – estrofe – refrão – auge), de onde se destacam Dying At Your Own Party (belíssima e triste canção), All This Will Pass (canção radio-friendly, com um verso maravilhoso: “Mesmo que tivesses 40 vidas, só saberias como vivê-la à 39ª”), In My Dreams (perfeita para fechar qualquer episódio emocionante de uma série dramática) e, por fim, What Is a Life (provavelmente a minha favorita, com uma melodia extraordinária e uma estrutura pouco ortodoxa – a letra só confirma que quem compôs esta, estava obviamente drogado). Todas as outras canções, cada uma à sua maneira, são bastante agradáveis e não vão desiludir ninguém.

     Os Youth Group não fizeram o disco do ano mas, para já, fizeram o disco da carreira deles e do qual muito se podem orgulhar. No fundo, e o mais importante, é que parecem adorar fazer música e esse é o primeiro passo para se ser verdadeiramente bom nesta indústria.

     Sonoridade: Synth-Pop, que o vai fazer recordar Pulp, The Boy With The Torn In His Side e cangurus de headphones.

Sábado, Abril 04, 2009

Amor de perdição

     Este espaço vai reabrir brevemente. Esperem por novidades ;)

Domingo, Setembro 23, 2007

Madeleine Peyroux, Brasilia, 22/09

então essa noite rolou a apresentação da Madeleine Peyroux aqui em Brasília, devidamente descrita como "fenômeno do jazz internacional" e escaldada por músicas veiculadas em novelas e em rádios de lounge music, como a Antena 1 brasileira, a senhorita Peyroux faz atualmente uma digressão brasileira, coisa rara para quem está no auge, como é o caso. de Ouro Preto ao Rio de Janeiro, das capitais do nordeste à capital federal, ninguém ficará sem ela.

não tinha muitas expectativas para o concerto, já que não sou fã extremista. ouvi um monte essa semana dizendo que ela não é cantora de jazz, não é diva, não é isso, não é aquilo. óptimo. concentremo-nos, então no que ela pode nos dar: arranjos bem-feitos, repertório deliciosamente escolhido e uma voz que faz o feijão com arroz em 80% dos casos e brilha em outros 15% (há alguns momentos constrangedores, que preenchem o resto do tempo). achei fácil uma vaga no estacionamento do estádio Mané Garrincha, vizinho ao centro de convenções Ulysses Guimarães, local da apresentação, e logo entrei e deitei fora meu ingresso, cem reais a meia-entrada (com dois quilos de arroz, eu ganhava o direito à meia).

cabe aqui uma crítica à organização: os ingressos eram divididos em VIP Gold (150 reais), VIP A (100 reais) e VIP B (60 reais). e não há tantos VIPs assim no mundo, quanto menos em Brasília. preferia que fosse dividido em inferior frontal, inferior traseiro e superior, ou algo do tipo. e, já que comecei a criticar, vai uma outra crítica, desta vez à platéia: todo mundo sabe que show de jazz é coisa de casalzinho, e mesmo quem vai em um sozinho, como eu, respeita isso. o que não dá é pra ir com mulher feia em show de jazz, e isso tinha de monte. pagar 100 reais pra ser acompanhado por uma feia é deprimente, e se for pra isso é melhor optar por um programa mais barato e menos romântico, pois não?

Madeleine Peyroux adentrou o palco meia hora depois do mencionado no ingresso, violão em punho e acompanhada com uma banda de quatro músicos. começou com a primeira música do disco "Half the perfect world", cujo nome não me lembro agora e sinto preguiça de recorrer ao Google. o repertório concentrou-se nesse disco e no "Careless love", mas indo e voltando do primeiro, "Dreamland".

no começo, a postura dela no palco era irritante: a srta. Peyroux tem cara de funcionária pública, veste-se como uma funcionária pública e adotava a postura de uma funcionária pública recém-transferida de um departamento para outro. só que música pop não é repartição, violão não é carimbo e sábado não é dia pra trabalhar pro governo, meu bem, então muda logo isso. lá pela terceira música um velho babaca, sentado pouco atrás de mim, gritou "apaga essa luz". Maddie, com um inglês de dicção perfeita, disse "desculpe, não entendo português, não sei o que estão dizendo. mas se você tentar em inglês, quem sabe eu entenda", no que eu disse baixinho "que bom que você não entende, nessas horas é ótimo", provocando risos dos meus vizinhos. logo depois, um cara das cadeiras superiores mandou ligarem "essa porra de som aqui pra cima", no que mandei um "pobre é uma merda" que fez ecoarem risos meigos ao meu redor, aumentados quando disse "putz, odeio pobre".

lá pela quinta música a senhorita Peyroux já estava mais "soltinha", embora a timidez ainda lhe coubesse. arriscava uns passos tímidos, mostrou sua interpretação heterodoxa de "La javanaise", do mestre Gainsbourg, fez um comentário sobre "Everybody's talking", eternizada pelo Harry Nilsson na trilha do "Midnight cowboy" e mandou uma bela versão de "Summer wind", que descreveu como sendo "uma música bem antiga. mas algumas músicas antigas são boas", como se estivesse envergonhada por gostar de algo assim.

curioso é que a introdução de "Summer wind" me lembra muito a de "Querida", do Tom Jobim - queria que Madeleine soubesse disso, mas não me manifestei ali, claro. e assim ela foi se desinibindo aos poucos, embora, fique bem claro, não tenha gritado, interagido com a platéia além da conta ou coisa assim. e a coisa foi indo até o final, merecendo lembrar das outras duas músicas que queria ouvir: "Smile" (a do Charlie Chaplin, cuja versão com o Elvis Costello continua sendo a melhor) e "Dance me to the end of love" (que arrancou gritos, suspiros e aplausos de todos; da maioria, porque é o hit; de mim, porque uma pessoa que coloca Leonard Cohen numa FM comercial brasileira merece aplausos de pé). não senti falta de "Between the bars", uma vez que não sou indie.

ah, uma outra reclamação: brasileiro não sabe aplaudir. aplaudiam duas, três vezes no meio da música, fora o final. toda hora era aplauso. não é assim, meu deus.

se eu tiver de resumir o que aconteceu nesse show, o mais sensato é dizer: moça com cara de funcionária pública, vestida como funcionária pública, se apresenta na cidade do funcionalismo público. começa burocrático e depois vai ganhando em peso e coração, embora a falta de ousadia musical da moça informe, a quem já ouviu um disco dela, que não há grandes ousadias durante toda a noite. se ela não será promovida à gerência do departamento, pelo menos será conhecida como sendo uma boa profissional, talvez com um bom papo ou capaz de fazer uns pasteis de nata deliciosos. e quem chamá-la para conversar ou para sair pode ter boas surpresas.

Terça-feira, Setembro 04, 2007

informação relevante

todos os temas resenhados na postagem abaixo podem ser baixados da página Planeta Pop.

grata,

a Gerência

p.s.: Pedro Barbosa, cadê você?

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

prendas ofertadas

estou a trabalhar em um órgão do governo brasileiro onde a rede tem limitações de acesso; desta forma, não posso ter programas p2p como o Soulseek e o eMule, tampouco entrar em páginas como o Rapidshare e o Megaupload, onde versões compactadas dos álbuns aparecem velozmente.

assim, minha única saída para ouvir um pouco de música é procurar blogs com links directos para ficheiros em mp3, para gravá-los no hd do computador e ouvir. eis, aqui, algumas críticas a temas que ouvi desta forma:

1. Pelle Carlberg - "I love you, you imbecile". antes de qualquer coisa, ponto para Pelle: esta canção tem um nome espectacular, especialmente quando se é apaixonado(a) por algum(a) imbecil que ignora tal facto. a voz masculina do sueco Carlberg canta em dueto com alguma rapariga que ainda não descobri quem é, numa canção pop que é das melhores coisas que ouvi este ano. nota 8 (não leva mais porque não vai mudar o mundo, tampouco me mudar).

2. Mäximo Park - "Girls who play guitars". anos atrás, ouvi o disco de estreia dos Mäximo Park, que um amigo de França tanto me recomendara. e a reação foi das piores: achei-o deveras fraco, sem um grande momento de inspiração ou um tema que os diferenciasse de tantas bandas "genéricas" a tentar a sorte no mundo pop. e desisti do Mäximo Park, até me ver atraído pela oferta desta canção com um nome bonito. pois bem: a despeito do nome bonito, a música é bem ordinária, bem miserável. nota 3.

3. Bright Eyes - "No one would riot for less". gosto dos Bright Eyes. em 2005, a banda de Conor Oberst lançou "At the bottom of everything", um dos melhores temas da década, embora o disco ficasse dois degraus abaixo. esta "No one..." é uma balada de acento folk, com uma bela letra que diz coisas como "pequeno soldado, pequeno insecto / sabes que a guerra não tem coração / e te matarás sob o sol / ou feliz na escuridão", antes de concluir: "estou deixando este lugar / não há nada que planeie daqui levar / excepto ti, excepto ti". nota 7, por ser um tanto arrastada.

4. St. Vincent, "Now now". esta banda de uma rapariga, cujo nome me escapa, é bastante apreciada por um amigo do Lago Norte, que me manda ficheiros dela com freqüência. esta "Now now" é o melhor tema que já ouvi da gaja, mas isso não quer dizer muita coisa, a não ser que "não é mau". nota 6.

5. Arab Strap, "Dream sequence". os Arab Strap são, a meu ver, uma banda bem subestimada: seu disco "Monday at the hug & pint", creio que de 2002, é um belo trabalho, e que foi muito pouco ouvido. essa "Dream sequence" troca o folk-rock que os "consagrou" por algo mais soturno, próximo aos temas góticos de vinte anos atrás e com um belo piano. fãs de Echo & the Bunnymen têm boas chances de se emocionar com o tema, que, acabo de descobrir, é de dois anos atrás. eis abaixo o vídeo da canção, que leva uma nota 9:



6. Andrew Bird, "Heretics". um dos preferidos do João Martinho, Andrew Bird, que fazia música de raiz estadunidense com seu colectivo Andrew Bird's Bowl of Fire, parece ter descoberto a guitarra elétrica agora que se apresenta como solista. esta "Heretics" é uma cópia do Pavement fase "Brighten the corner". o problema - ou a virtude, depende de como se observa - é que é uma belíssima cópia. nota 7.

7. Mika - "Relax, take it easy". pop descartável de qualidade, para mim, atende pelo nome de Maroon 5, cuja "Makes me wonder" é, desde já, um dos grandes temas do ano. o libanês Mika, paneleiro que estourou nos charts com a chatinha "Grace Kelly", tenta mais uma vez com esta "Relax, take it easy", e repete a fórmula: electrónica anémica, falsetes irritantes e a sensação de que algo na canção está em falta. deixa que eu respondo: falta talento. nota 2.

8. Air - "Once upon a time". há por aí quem creia que os Air nunca farão nada tão bom quanto "Moon safari", seu primeiro LP, de 1998 (geez, como o tempo passa...). por mim, aponto "Talkie walkie", de 2004, como o registo definitivo da dupla francesa. e por isso resolvi postergar pelo máximo de tempo possível a audição de "Pocket symphony", seu sucessor. esta "Once upon a time" é o primeiro tema que oiço, e já lá vão mais de seis meses desde o lançamento do álbum. o que sobra, aqui, é sensibilidade: o máximo de agressividade que um tema dos Air entrega equivale a passar por debaixo de uma árvore frondosa e ser atingido(a) por uma flor. há quem ouça música apenas pela agressividade e pelo nervosismo possibilitado (olá, fãs de Metallica). e há quem queira beber toda a água destes oásis de sensibilidade - é o meu caso. nota 8 (uma pena que também não mudou minha vida, senão mereceria um 10).

9. Beirut - "Elephant gun". outro preferido do meu amigo do Lago Norte, o Beirut mistura ritmos do leste europeu ao folk-rock ocidental - pense numa camponesa romena a prostituir-se no Chiado ao som de Bob Dylan. pensaste? bem, não é exactamente assim, mas quis que imaginasses a cena. "Elephant gun" lembra-me de almoços dominicais regados a espaguete, céus de amarelidão infinita, placidez, relvados a necessitar de corte, sumo de uva e um monte de outras coisas. apesar de tudo, não é tão especial. nota 6, mas admito que pode melhorar com o tempo.

Domingo, Outubro 01, 2006

Help She Can't Swim



Ou como o rock amador tem o power todo.

Sábado, Setembro 23, 2006


James Dean Bradfield
The Great Western (2006)

James Dean Bradfield, apesar do nome remeter para um imaginário sonhador, é um homem dilacerado por muitas dores e fantasmas.
Ora, James é um guitarrista e vocalista conhecedor, conhecido e reconhecido. É um homem mais inteligente que o comum dos músicos e tenta, neste Great Western, aquilo que ainda lhe faltava provar: ser um bom escritor e compositor e melodizar, mais do que experimentar, a guitarra.
Bem, Bradfield consegue tudo isso em Great Western. É um disco coeso, que apetece ouvir devagar e por inteiro e bem escrito, bem composto, bem feito. E tem mais: são canções tristes, muitas vezes cantadas a várias vozes (num efeito gospel maravilhoso que nos reporta para campos de escravatura) e que se rebelam. Ora, o artista prova ser irredutível para com a sua consciência e continua, ao fim de tantos anos, a revoltar-se contra o mundo que o rodeia, contra a hipocrisia das pessoas e contra a maldade dos corações.
Agradável é o facto de cada vez o fazer melhor.

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

a escolha de Sofia

quando eu completar 35 anos e tiver alguns milhões a mais do que agora em minha conta bancária, farei uns telefonemas para localizar o Brett Anderson e farei-lhe uma oferta milionária para reunir o Suede para tocar em meu aniversário. e escolherei, claro, a lista de canções a ser apresentada.

se fosse hoje, a lista seria a mostrada abaixo, em que limitei-me a quatro canções de cada trabalho da banda (e sim, eu também me odeio por ter suprimido "The wild ones"):

1. Simon
2. To the birds
3. Jubilee
4. Everything will flow
5. Asbestos
6. Starcrazy
7. Pantomime horse
8. She's in fashion
9. By the sea
10. Astrogirl
11. The power
12. New generation
13. Untitled
14. Metal mickey
15. Together
16. Trash

(primeira volta ao palco)

17. Europe is our playground
18. So young
19. Still life

(segunda volta ao palco)

20. Oceans

e vocês, caros leitores? que lista fariam?

Domingo, Setembro 10, 2006

uma pequena evolução

ânimo, brasileiros: depois de um ano e três meses de atraso, saiu no país "Here come the tears", disco de estreia do Tears, com a dupla de firing linepredilecta deste blógue. e, com dois anos de atraso, o Brasil também recebe uma edição nacional de "Want two", do Rufus Wainwright. curiosamente, o "Want one" permanece inédito no Brasil - o único trabalho do canadiano que havia sido editado por cá foi "Poses", em 2001, mas que já se encontra fora de catálogo.

é cedo para saber se há motivo para comemorar ou se foi caso fortuito. mas já vou inclui-los na lista de compras, antes que desapareçam - o que é bem comum, no país da mandioca.

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

The Essex Green
Everything Is Green (1999)

Ora, os primeiros acordes e vocais deste disco são fundamentais. Desde logo, em Primrose, o nobre ouvinte sentir-se-á transportado para os anos 60, para os Housemartin ou Supertramp. E continua, com canções absolutamente brilhantes como Everything Is Green, Grass, Mrs. Bean. Não desaparece nunca o ambiente de caravana do amor e paz e do conforto da pradaria e dos banhos de sol, no meio da relva.
Everything Is Green, primeiro disco dos americanos The Essex Green é mágico, virtuoso, apelativo. Não é o último grito nem caso sério de veneração mas nem por isso deixa de ser obrigatória a sua audição.

Happy Birthday



Ora aí está. O tempo corre depressa e este espaço, ideia minha (que logo convidaria Eduardo Palandi, João Martinho e Manuel Oliveira para a fundação) numa noite de muito calor e sonoridades intensas, faz hoje mesmo dois anos.

O Drowners aka The Sound Of The Streets passou mais uma barreira temporal e, se o destino o permitir, fará mais 2, de cada vez.


E já agora, off-topic, acabaram hoje as férias de verão para o Drowners. Estaremos de volta, como de costume, em Setembro.


Terça-feira, Agosto 22, 2006

A vida tem destas coisas. Se em Avalon, Chicago, Paris (os 3 concertos míticos e místicos de Jeff) o público soubesse, por antecipação, que o homem que viam na sua frente, iria morrer…

Bem, Jeff Buckley cantava como se soubesse que tinha um curto prazo de validade. Punha tudo de si em cada som. Soltava agudos como se as cordas vocais fossem de aço e gemia, gesticulava e chorava entre canções, como se o seu mundo fosse o mundo mais triste, desesperado, desalentado. Jeff, mais intenso que o pai Tim, parecia encarnar as almas desaparecidas de Kurt Cobain, Jim Morrisson, Hendrix, Lennon, tinha um pouco de cada um.

Além disso, Jeff Buckley é uma dessas personagens larger than life, que teve um início, meio e fim. Não deu nunca espaço para decair ou estragar a sua imagem. Contam que Jeff gostava de abrir e beber umas boas garrafa de vinho tinto e quando se tem Lilac Wine no repertório, a coisa ganha um encanto especial, até.
Contam que viu o pai apenas duas vezes, embora todos vissem os dois, de cada vez que olhavam um. Contam que o disseram louco quando quis cantar algo de Leonard Cohen mas Hallelujah a essa bendita cover. Contam que conseguiu um disco perfeito, ao qual chamou Grace e o que nos contam, o que nos conta quem viveu, tem sempre mais valor.

Contarei eu, sempre, que a voz de Jeff Buckley parece hoje a voz de alguém que não queria morrer e quer voltar, como se o mundo mais triste, desesperado e desalentado fosse, ainda assim, o mais belo para ser apreciado.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

constatação

é incrível como uma canção nos pode alterar o humor, não? ontem eu estava todo feliz, a comemorar minha aprovação num concurso público, e senti vontade de ouvir o "Heartbreaker", do Ryan Adams. depois de apenas dois temas, já me sentia a criatura mais desprezível da face da Terra...

Domingo, Agosto 13, 2006

A track and a train

Esta é uma lista com canções obrigatórias e que são parte integrante de discos a serem analisados durante os próximos tempos:

Wolfman featuring Pete Doherty - This is for lovers
Babyshambles - I'm in love with a feeling
Rogue Wave - California
Shout Out Louds - Go sadness
Artic Monkeys - Despair in the departure lounge

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Arthur Lee 1945-2006


Uma pequena homenagem a um dos melhores álbuns que eu alguma vez ouvi - Forever Changes. Arthur Lee, mentor dos Love, morreu a semana passada. Para além da memória, que não é mais que um fantasma adormecido, nós temos o estúpido privilégio de ficar com algo verdadeiramente vivo - as canções. Arthur Lee e os Love deixaram-nos várias. Eu apenas vos deixo a letra da andmoreagain (não sei colocar mp3 aqui), a única canção com onomatopeias que ilustram o amor. Belíssima.

And if you'll see Andmoreagain
Then you will know Andmoreagain
For you can see you in her eyes
Then you feel your heart beating
Thrum-pum-pum-pum
And when you've given all you had
And everything still turns out Bad, and all your secrets are your own
Then you feel your heart beating
Thrum-pum-pum-pum
And I'm Wrapped in my armor
But my things are material
And I'm Lost in confusions'Cause my things are material
And you don't know how muchI love youOh, oh, oh..
And if you'll see Andmoreagain
Then you might be Andmoreagain
For you just wish and you are here
Then you feel your heart beating
Thrum-pum-pum-pum

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

melhor tomar cuidado, Neil Hannon

o sexteto paneleiro Scissor Sisters, uma das bandas recentes que mais apetece este que escreve, lançará seu segundo trabalho, "Ta-Dah", no final de setembro.

quem ouviu o primeiro se encantou com tantas loucuras: o plágio descarado dos Roxy Music em "Take your mama", a emulação de Elton John na belíssima "Mary", a abdução dos Bee Gees para tocar a couve dos Pink Floyd, "Comfortably numb". e a banda ainda registou uma versão de "Take me out", do Franz Ferdinand, como lado B - tão sublime que preciso recomendar por cá.

o primeiro compacto a ser extraído de "Ta-Dah" chama-se "I don't feel like dancing" e tem a participação do Elton John, o que é mau agouro - ele era amigo de Gianni Versace e este foi assassinado, ele era amigo da Lady Di e ela morreu num acidente de viatura, etc. mas ainda assim, é um génio. e a canção aqui é uma bela trilha para um strip-tease depois de uma noite de copos. recomendo aos leitores que a experimentem no conforto de seus quartos, com a pessoa amada e iluminação indirecta. recomendo ainda que tirem peça por peça das roupas e as rodem no ar antes de atirá-las ao chão. depois é só correr para o abraço - literalmente.

ficaram curiosos a respeito de "I don't feel like dancing"? pois baixem-na deste endereço. e que o Neil Hannon e seu Divine Comedy que se cuidem: "Ta-Dah" é um sério concorrente a disco do ano...

Sexta-feira, Julho 28, 2006

seeeeeerá?

meus queridos, ouvi uma história de que o Quinteto Tati teria encerrado atividades. alguém pode me dizer se a informação procede ou é um mero factóide? só de pensar na possibilidade, já fico triste...

Sexta-feira, Julho 21, 2006

The queen is dead, mas a gente não

Dando continuidade aos festejos de vinte anos do "The queen is dead", chegou a minha vez de deitar algumas linhas sobre o disco, mesmo que eu não o ouça mais.

Explico: durante cinco anos, os Smiths tiveram o estatuto de minha banda favorita; devo ter decorado as letras de setenta por cento de suas canções, a ordem de lançamento dos compactos, passei até mesmo dez meses sem comer carne por influência do topetudo Morrissey (embora o Johnny Marr também seja vegetariano). Comprei o "The queen is dead" no dia em que completei dezoito anos, em novembro de 1999.

Quando cheguei em casa, descobri que estava diante de uma maravilha. Até então, meu conhecimento dos Smiths restringia-se aos dois volumes do "Best..." editados no Brasil. Por sorte ou algo assim, reeditaram-se o "Hatful of hollow" e o "The queen is dead" dois anos antes.

Enfim, aquilo foi como um soco no estômago. E detonou uma Smithsmania pessoal. Uma banda não lança um disco desses e fica impune, certo? A partir daí, comprei todo o catálogo dos Smiths e do Morrissey a solo, fui a um concerto dele em 2000, enfim... a rainha estava morta, mas a minha vida parecia ali ter começado.

"Cemetry gates" é um delicioso exercício de humor persecutório; "The boy with the thorn in his side" tem as guitarras mais bonitas da década, ao lado de "Lips like sugar", do Echo & the Bunnymen; "Never had no one ever" traz aquela letra tão misteriosa: afinal, há algum significado nos 20 anos, 7 meses e 27 dias? "I know it's over" é o drama e a inadequação elevados ao estatuto de arte. E ainda há "There is a light that never goes out", com um vocal tão sublime que fica difícil crer que foi feito em apenas duas tomadas.

Uma vez, um amigo aqui de Brasília, que passou a gostar mais dos Smiths depois que chamei-lhe a atenção para a obra da banda, disse-me que "The queen is dead" era, a seu ver, um disco semi-conceitual sobre a morte, e que só não havia encontrado indícios sobre a morte em dois temas: "Some girls are bigger than others" e "Frankly mr. Shankly" (que traz o sensacional verso "you are a flatulent pain in the arse").

E eu concordo com ele. Apesar de não ser um trabalho conceitual como "Strangeways here we come", sobre o amor (o disco começa dizendo "I think I'm in love" e termina com "Goodbye my love" - que prova melhor teríamos?), nem por isso "The queen is dead" deixa de ser um trabalho apaixonante. Já se vão vinte anos de corações partidos... e que venham mais vinte, trinta ou enquanto o bom gosto perdurar.

Terça-feira, Julho 18, 2006

The Smiths
The Queen Is Dead (1986 - 2006)

Mãe, eu consigo senti-lo.
O chão parece cair-me em cima.

E enquanto me arrasto até esta cama vazia...
Bem, chega de conversa.
Porque eu sei que tudo acaba aqui,
embora não o aceite.
Não sei mais para onde ir,
acabou.

The Queen Is Dead faz 20 anos este mês. Está de parabéns. E merece este especial por várias razões, entre as quais, duas bem importantes: é um dos melhores discos de todos os tempos e continua a soar tão bem, ou melhor, do que há duas décadas atrás.

Mãe, eu consigo sentir.
O chão, bem,
o chão parece cair-me em cima.

Vês o mar que me tenta levar?
A faca que me tenta cortar?
Julgas que me podes ajudar?

Se não conhece o disco, corra a comprar ou faça o download, como queira; o importante é que o conheça, mesmo. Se o disco faz parte da sua estante, sei também que faz parte da sua alma, das suas memórias e da sua vida. São vinte anos, com vinte razões para se amar The Queen Is Dead.

The Queen Is Dead (ou, em português, A Rainha Está Morta) é um dos mais intensos discos de sempre. Tem composições pop absolutamente perfeitas, tem temas épicos e verdadeiramente devastadores e tem paixão e raiva escritos por todo o lado. Este disco viria a influenciar todo o que se faria em Inglaterra nos anos seguintes e foram centenas de músicos a tentar algo parecido, após a edição do álbum, até hoje.

"Triste e amargurada noiva,
por favor, sê feliz.
A ti, que cuidarás dela,
dá-lhe espaço.

Por ti, por quem o amor
falou mais alto,
trata-a com carinho.
Embora ela te precise
mais do que te ama."

Os Smiths nunca soaram mal, nunca foram fúteis e as suas letras e melodias nunca foram menos de geniais. Mas The Queen Is Dead intensificaria tudo isto. No meio de Never Had No One Ever, Morrissey teve um dos seus melhores momentos da carreira, afirmando que “Eu tive um pesadelo absolutamente mau. Durou 20 anos, 7 meses e 27 dias.” Nunca ninguém descobriu que dia foi esse, que tanto marcou Moz mas esse é um dos inúmeros mistérios que rodeiam o disco e a banda. Um dos inúmeros mistérios que tornam os Smiths ainda mais importantes.

Porque eu sei que tudo acaba aqui
embora não o consiga aceitar,
não sei mais para onde ir.
Acabou,
acabou,
acabou,
acabou,
acabou.
Eu sei que tudo aqui termina
mas nem sequer começou
e no entanto, no meu coração,
tudo foi tão real
que até tu me falaste e...


…e tem humor negro, britânico e puro. The Queen Is Dead foi, provavelmente, o disco com mais versos que, ainda que isolados, são pedaços de genialidade efectiva. Para que constem alguns: “E se um autocarro de dois andares se despistar contra nós (fica a saber que) morrer do teu lado é uma forma paradisíaca de se morrer”; “Da idade do gelo até à idade da pedra, existiu apenas uma preocupação, que eu acabei de descobrir: algumas raparigas são maiores que outras”; “Docemente, eu estava apenas a brincar quando disse que gostaria de te esmagar todos os dentes, um a um”; “Continuo a preferir ser famoso do que moralista ou religioso”.


"Se és tão engraçado
porque estás sozinho, esta noite?
E se és tão esperto
então porque estás sozinho, esta noite?
Se és tão bem-disposto,
porque estás então sozinho, esta noite?
Se és tão bem parecido, bonito
porque dormes sozinho, esta noite?

Deixa-me adivinhar.
Esta noite é como todas as outras noites.
Por isso te deitas só, hoje como sempre."


Porém, mais do que qualquer outro disco de Smiths, este disco é para aqueles que se deitam sós, “hoje como sempre”. A voz quente de Morrissey, que parece estar sempre no fio da navalha porque embora nunca angustie, grita a toda a hora as fraquezas de todos nós, a guitarra única e indescritível de Marr e as letras de todas as canções fazem deste disco uma compilação de desesperos e desistências. Frases de profundo lamento como “Como podem eles olharem-me nos olhos e ainda assim, não me crerem?” ou “Não quero mais ir para casa, até porque nenhuma tenho” são frequentes no disco. A sonoridade madura e datada do disco torna-o ainda mais precioso, mais audível, mais companheiro de noite e de chuva e de choro.

Com as tuas vitórias e o teu charme,
enquanto eles estão nos braços
um do outro.

É tão fácil rir.
É tão simples chorar.
É preciso força para ser gentil
e agradável.
Quanto tudo acaba.
Porque acabou.
Acabou e são precisos tomates
para se ser gentil e agradável.


“É tão fácil rir. É tão simples chorar” poderiam bem ter sido as frases de promoção ao disco. Se ele é mais animado quando Viçar In A Tutu ou Frankly, Mr Shankly tocam, também consegue ser do mais devastador que existe se as opções forem Never Had No One Ever ou I Know It’s Over. O que interessa é que volvidos vinte anos, nenhum dos dois sentimentos perdeu força e nunca ninguém atingiria semelhante patamar, orquestrando estas duas emoções, ao mesmo tempo.

Morrissey, mais que nunca, repetiria frases de sofrimento como “nunca tive alguém na vida” ou “o chão parece cair-me em cima” ou ainda “Não existe uma luz ao fundo do túnel” no fim das canções, ampliando a nossa dor, esquartejando a nossa alma.


O amor é tão natural e real...
Mas não para ti, meu amor.
Não para nós, meu amor.
O amor é real, é natural mas
não esta noite, meu amor.
Não para pessoas como tu e eu,
meu amor.

Mãe, eu sinto-o.
É agora.
O chão parece cair-me em cima.
Mãe, eu sinto-o.
Eu sinto-o, mãe.
O chão,
o chão parece cair-me em cima.


Como um texto destes não depende apenas do disco e dos leitores mas também do autor, eu devo confessar que apesar da perfeição pop de There Is A Light That Never Goes Out e Some Girls Are Bigger Than Others, da sonoridade de The Boy With The Thorn In His Side ou Never Had No One Ever e do carisma de Cemetery Gates ou Bigmouth Strikes Again, nenhuma canção me toca tanto como I Know It’s Over.

I Know It’s Over é o símbolo dos amargurados, o bastião da melancolia e do desespero, a Meca dos que perderam esperança na vida. I Know It’s Over é, na minha opinião, uma das melhores composições de todos os tempos, em que tudo está perfeito: a duração da canção, a letra, o ambiente que a rodeia, a sonoridade, a voz, a guitarra, o título.

Os nossos heróis são-no porque nos identificámos com eles, porque eles dizem ou agem como nós queríamos dizer e agir. Nesse sentido, Morrissey tornou-se o meu herói quando conheci I Know It’s Over. Desde então, tenho um hábito bonito de a ouvir quando chove, com uma chávena de chá na mão. No entanto, uma canção assim serve sempre porque também faz sentido no insuportável calor dos sentimentos e ainda mais no Outono das sensações.

Os gemidos e os risos, a tristeza e a felicidade, a velocidade e a ausência desta mas, acima de tudo, o desespero e o humor fazem de The Queen Is Dead um dos melhores discos de sempre. E, a menos que se diga “God Save The Queen (Is Dead)”, não há lugar ao contraditório, no que ao disco diz respeito.

Mãe, eu sinto-o,
eu sinto-o,
eu consigo sentir.
Eu sinto que o chão me vai cair em cima,
mãe...
eu sinto.

Em itálico, encontra-se a letra de I Know It's Over, traduzida cuidadosamente e mais dramatizada que literal. Julgo que Morrissey assim gostaria que fosse.

Segunda-feira, Julho 17, 2006

The Kooks
Inside In/Inside Out (2006)

Esqueça tudo, desde já. Esqueça as bandas com os The (Killers, Strokes, Artic Monkeys, Libertines, etc) e todas aquelas às quais estas foram comparadas (Beatles, Pulp, Smiths, Rolling Stones).
Os The Kooks são britânicos e têm the no nome, mas tudo o resto é muito diferente. Portanto vamos, desde já, à frase chave desta análise: Inside In/Inside Out é, muito provavelmente, um enorme candidato a melhor disco de 2006. E se tem Morrissey, Belle & Sebastian, Divine Comedy, Camera Obscura, Sondre Lerche e The Stills na concorrência e ainda assim mantém o estatuto, estamos perante algo.
Ponto 1: o disco é inesperadamente maduro. Os rapazes abrem as hostes com Seaside, uma anti-balada marinha, feita para aquecer os ouvidos com guitarras acústicas e vozes graves. Sofa Song é um mimo, uma canção peculiar, que nos enche confortavelmente o ouvido. Nisto, os Kooks fizeram mestrado: tentam não enlouquecer com quatro ou cinco instrumentos ao mesmo tempo, uma voz aguda e efeitos de produção. Normalmente, usam uma guitarra, uma voz forte e uma bateria para marcar o ritmo. Tudo o resto é decoração, parecem ter pensado os rapazes.
As lições de pop britânico, do puro, também não saltaram e prova disso é a extraordinária Ooh La, provavelmente a melhor canção do disco. Mas não acaba aqui: Naive, If Only, Jackie Big Tits e Got No Love são todas elas únicas, agradáveis e refrescantes.
A disposição para ouvir os The Kooks nem sempre é a melhor. O verão não dura todo o ano e no Inverno, faz mais sentido perto do Seaside. Os The Kooks não são a melhor banda do mundo, nem têm essas pretensões. Serão, isso sim, a banda que os The Libertines queriam ser, que os Razorlight ainda não são e que os Artic Monkeys nunca serão.
Provavelmente, a melhor banda sonora deste verão.

Link para o vídeo de Naive

Pedro Barbosa

Sábado, Julho 15, 2006


Jens Lekman
Oh, You're So Silent, Jens (2005)

Lekman, um sueco bonito que estudou nos E.U.A., decidiu ir nas modas de reunir lados b, EP’s e faixas bónus. Bendita a hora, em que o fez. Oh, You’re So Silent Jens é dos discos mais soulfull que já tive oportunidade de conhecer. Desde a doce brutalidade de Pocketful Of Money, viajando por um Black Cab tongue-in-cheek, até perceber que o disco, e o cantor, vivem da sua voz em Another Sweet Summer’s Night On Hammer Hill, o disco é encantador.
Porém, como em qualquer compilação, falta consistência ao disco e as canções parecem ter sido dispostas de forma aleatória. Fica quebrada a magia do disco pela pouca produção (leia-se: não devia ter alguma) e pela escolha, desnecessária, de algumas canções para fazerem parte dele.

Terça-feira, Julho 11, 2006

obituário

anunciou-se hoje que um dos fundadores dos Pink Floyd, Syd Barrett, faleceu na última sexta-feira, provavelmente de cancro ou de diabetes. o músico, que se fosse nascido em Portugal talvez fosse baptizado Alcides Barreto e fizesse rock progressivo com guitarra portuguesa e letras sobre viagens psicadélicas, tinha sessenta anos. foi com ele que os Pink Floyd gravaram a maior parte de suas boas canções, como "See Emily play", além de seu clássico primeiro álbum, "The piper at the gates of dawn".

saído da banda em 1968, graças ao facto de que o LSD comeu seu cérebro (o que é, infelizmente, uma verdade), Barrett registou dois álbuns solo ("Madcap laughs" e "Barrett", ambos de 1970), antes de isolar-se e viver recluso em casa, a falar coisas sem sentido e fazer coisas sem sentido.

conta-se que "Wish you were here", o último grande tema dos Pink Floyd, foi composto quando Syd quebrou seu exílio voluntário e visitou os ex-companheiros no estúdio (era 1975). gordo, careca e a vestir trapos, o gajo continuava a falar apenas coisas sem sentido, e isso deixou seus companheiros arrasados. como gente triste compõe grandes canções, daí saiu "Wish you were here", editada no disco homónimo que se transformou, para muita gente (eu estou incluso) no "disco da amizade".

curiosamente, estava ontem na Fnac quando deparei-me com um exemplar de uma revista inglesa (não me lembro se a "Uncut" ou a "Mojo"), com uma pequena chamada de capa para uma entrevista de um dos membros dos Pink Floyd. dizia "Syd still haunts us".

que a terra lhe seja leve, Syd, pois jamais pesaste sobre ela.

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Precocidade


Sondre Lerche
Faces Down (2002)

Ele tinha 16 anos quando compôs a maioria das canções deste disco. E uma coisa é certa: só com 16 anos se consegue fazer algo tão sincero, meigo, bruto, puro. Só com 16 anos ele conseguiria criar um disco tão sonhador, tão fora do contexto social que o mundo atravessa, tão pouco desiludido no que reporta a relações afectivas e sociais.
Sondre Lerche é, no que à sonoridade diz respeito, um rapaz interessante, que tem algo do seu conterrâneo Jens Lekman mas também de Scott Walker e, em alguns momentos, consegue soar a bandas inglesas depressivas dos anos 80 (recuso-me a dizer Smiths nesta review).
É um disco para o desperta matinal, para ouvir no seu leitor de mp3 enquanto corre pelo parque, num dia solarengo. Não julgue que é uma festarola, uma adoração ao sol e à praia, nada disso. Este disco é sobre a felicidade sem razão aparente, sobre as televisões a cores e os carros amarelos. Como o miúdo disse, “esquece a mãe natureza, isto é como tem de ser”…

Rooney
Rooney (2003)


Se, um dia, lhe der vontade de ouvir uma dessas bandas de colégio, americana, com estilo neo-punk e sem correntes nas calças, experimente os Rooney.
As razões são as seguintes: têm uma capa para primeiro disco absolutamente maravilhosa; são uma das 3 bandas americanas que não se querem parecer com os Snow Patrol; já foram elogiados pelo Adam Brody; têm nome de jogador da bola; têm uma canção chamada Terrible Person, que é uma coisinha excepcional; vai sentir-se 10 anos mais novo, num slideshow de pontapés na bola e encontrões por parte do gordo da turma.
Não espere muito, por favor. Isto foi o mais baixo que o The Sound Of The Streets conseguiu….

Sexta-feira, Julho 07, 2006


I Am Kloot
I Am Kloot (2004)

Seguindo as tradições de Man(d)chester, os I Am Kloot estrearam-se em 2003 com um disco que alterna entre o doce, o aborrecido e o explosivo. Em canções como From Your Favorite Sky e Proof, os IAK mostram uma veia melodiosa, radio-friendly. Here For The World, The Same Deep Water As Me e Not A Reasonable Man vão para outro patamar, são temas mais densos, mais coesos, especialmente o último.
Pena que o resto do álbum não acompanhe e vá alternando entre o estúpido e o fantástico. Isto acontece, estranhamente, numa sequência perfeita.

Aqui vai link para verem um dos melhores videoclips de sempre da belíssima Proof


Belle & Sebastian
The Life Pursuit (2006)


A capa é magnífica. O disco é aceitável. Não passa muito disto, tenho que ser sincero. Se o disco não pertencesse a este grupo de escoceses que um dia fez coisas como If You’re Feeling Sinister e The Boy With The Arab Strap, seria um bom disco. Assim sendo, as duas maravilhosas Act Of Apostle (I e II), a pop solarenga de Another Sunny Day e o fenomenal par The Blues Are Still Blue e Dress Up In You não conseguem fazer esquecer que o resto do disco está muito aquém do que seria de esperar.
É tempo de repensar o rumo da banda.

De qualquer forma, link para verem Blues Are Still Blue


Na próxima segunda ou terça, The Kooks e Sondre Lerche

Pedro Barbosa

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Cat Power


Os meus ódios de estimação musicais vencem-me constantemente. Desisto de lutar contra eles, rendo-me. Demoram o seu tempo, porque sou uma perdedora difícil, que o digam os Magnetic Fields, os Morphine, os Tindersticks... centenas deles que fizeram troça de mim após escutá-los, compreendê-los.
O meu último ódio vencido foi a Cat Power. Certa vez emprestaram-me “You are Free” e eu não gostei. Achei que o mundo estava pejado de raparigas americanas e melancólicas; em tempos tive a Kirsten Hersh, e agora tinha a Amie Mann, não precisava de mais. “You are Free” não me surpreendeu.
Mais tarde, surgiu no meu caminho "Wild is The Wind", original da Nina Simone, incluída no “Covers Record” da Cat Power. Com uma versão igual aos dias que não chovem nem brilham, e apenas nascem e morrem certos disso, esta versão cansada da Nina Simone tinha vencido a minha desconfiança. Permiti a “Sea of Love”, e até mesmo a "Wonderwall", que parecia ter sido escrito para ela, figurarem no dicionário das minhas canções.
Recentemente, "The Greatest". A música que dá nome ao disco – melancolia resignada - e as restantes já sabem onde pertencem.
Chan Marshall, assim originalmente nascida, canta como quem acaba de acordar. Para mim, acordou tarde, mas não faz mal, porque isso significa que à noite vou ter uma boa insónia.

Segunda-feira, Julho 03, 2006



Camera Obscura
Let's Get Out Of This Country (2006)
O novo dos escoceses Camera Obscura é fenomenal. É um festim quando tem de o ser, é obscuro em todos os outros momentos. Canções como Tears For Affairs, Dory Previn ou Country Mile são do melhor para entristecer o verão, especialmente se durante o dia dançou tudo com Lloyd, I’m Ready To Be Heartbroken. Este disco consegue, sem muitas audições, suplantar o anterior dos Camera Obscura e isso diz muito acerca dele…




The Libertines
Eponymous (2004)
Faça parte do grupo de 20 pessoas que conseguem suportar os Libertines, sem estar sobre o efeito das drogas. O homónimo da banda é um perfeito caos musical, recheado de grandes momentos pop, rock, punk mas sempre a soar inacabado. As canções são de um potencial extremo mas nunca chegam a atingir esse patamar: o de canções. São pedaços musicais, cheios de energia, de boas ideias, de um certo revivalismo até e, acima de tudo, de muita tensão. As únicas canções com pés e cabeça são perfeitas: Music When The Lights Go Out e o single Can’t Stand Me Now.

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Divine Muse



Victory for the comic muse é um álbum de instrumentos. Muitos. Orquestras de cabaret, pianos de circo, violinos de baile, jardins onde senhores de fato passeiam, e senhoras bem-vestidas seduzem, num in and out in Paris and London.
É melhor o disco depois de Casanova, uma recuperação quase perfeita do cinismo, do charme decadente, e da ingenuidade (porque um cínico é um ingénuo terrível) que caracterizam os Divine Comedy.
Os belíssimos A lady of a certain age e The light of day são os primeiros a insinuar-se. Depois da terceira ou quarta audição prendemo-nos a Mother Dear ou a To die Virgin. E Threesome é um piano que se coloca na sexta canção do disco, mas é mais que isto; é uma melodia à qual parece faltar qualquer coisa e, não é, definitivamente, voz e letra. O óbvio é um território desconhecido para os Divine Comedy. Neles, tudo é um teatro de cortina caída, onde os risinhos e os murmúrios perversos acontecem do outro lado do pano; nós apenas somos o auditório curioso.
Neil Hannon envelheceu, muniu-se de coros, deu uma certa resignação à sua voz e escreveu pop; não a escureceu, não a complicou e, mais importante, não se envergonhou dela.

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Push Bar(man) to open (bar)man old wounds. Belle & Sebastian. 2005.


Push Barman To Open Old Wounds
Isto de canções da nossa vida, tem muito que se lhe diga. Porque no dia em que morremos, nessa longa capa invisível que levamos, alguns discos têm direito a uma etiquetazinha, outros conseguem até um bordado mas são poucos os que se vêem em A3. Adiante…
Os Belle & Sebastian fizeram If You’re Feeling Sinister (bordado), Tiger Milk (bordado) e The Boy With The Arab Strap (etiquetazinha) mas, entretanto, iam fazendo Push Barman To Open Old Wounds (A3).
E aqui eles são Simon And Garfunkel, eles são Smiths, eles são Suede e, tantas vezes, eles chegam até a ser Jeff Buckley ou Enio Morricone. Dog On Wheels é acelerada como os pneus, estranha como o nome, viciante como nenhuma outra. O truque é imaginar as esporas das botas do Clint n’O Bom, O Mau e O Vilão e vibrar, porque a canção é muito western.
The State I Am in diz “O meu irmão contou que era gay e isso afectou-me por uns tempos. Depois, ficou com o amigo marinheiro que conheceu no dia do casamento da nossa irmã. Eu casei à pressa para ajudar uma miúda a não ser deportada, agora ela está apaixonada.” e a canção com o nome da banda é uma canção de embalar, que vai crescendo até nos embevecer, como um sobrinho mais novo.
Agora vamos abrir novo parágrafo, porque também o disco salta para outro patamar. Lazy Line Painter Jane é do melhor que a banda criou. Tem o ar querido e flower power da banda mas também muda a perspectiva, ao falar na primeira e segunda pessoa, em vez de se limitar a contar uma pequena estória. É também o mais perto de algo épico, no primeiro cd, e a canção onde melhor estão Stuart Murdoch e Isobel Campbell, em conjunto. É uma canção arrebatadora.
1, 2, 3, 4 canções maravilhosas de uma só vez. Photo Jenny (idílica), Century of Fakers (canção de protesto), La Pastie De La Bourgeoisie (como referências a On The Road de Kerouac) e Beautiful (uma estória estranha, numa cantiga pura).

O Primeiro disco é brilhante. Não me posso alongar sobre ele porque existem ainda as canções do segundo disco, que não são perfeitas como as do primeiro e por isso se tornarão, para todos vocês, tão especiais:
Vou passar a primeira canção porque dela só falarei mais adiante. I Know Where The Summer Goês, The Gate e Slow Graffiti são 3 queixumes, todos eles bem cantados, bem compostos, bem Belle & Sebastian.
Passemos agora a outra dimensão: a das canções-cheias-de-defeitos-que-só-se-podem-amar.
Jonathan David: quem a canta é o Steve e a sua voz falha, não entoa bem todas as palavras e não puxa por ela. Quando tenta forçar uma nota que não é sua, fica ridículo. O Stuart entra a fazer coros horríveis e o piano parece algo extraído de um Monty Python. Por isso é que é tão estúpido que esta canção cresça em nós como poucas. Não sei como consegue. Mas consegue.
Take Your Carriage Clock And Shove It: Ponto 1, a introdução parece The Verve. Ponto 2, a melodia não conjuga com a letra. Ponto 3, o homem diz asneiras numa música triste (que não é depressiva). Ponto 4, se conhece a canção e não a adora assolapadamente, envie-me um mail para harvesterofhearts@hotmail.com. Prosseguindo, sem mails…
I’m Waking Up To Us: uma cantiga fenomenal. Uma letra absurdamente fenomenal. O sotaque escocês lindo, a entoação na ponte dos versos. O verso “Eu nunca a quis chatear, apenas queria que ela visse a beleza do mundo que a rodeia” é de partir o coração. Existem por aí cantigas que não cansam…
I Love My Car: spots publicitários em programas sobre motores de automóveis. Audições em enormes colunas meia-hora antes dos prémios de fórmula um. Aquele ar de “hey, Marylin, entra no meu descapotável e vamos de lenço com bolinhas rosa na cabeça, beber um Chateaux Vincenne e comer paté, para um monte qualquer”. Não existe nenhuma banda no mundo que arriscasse uma canção parecida.
Marx & Engels: Canção comunista. Disso não restam dúvidas. Genial é escrever uma canção que junte ideologia política, crítica societal, uma estória querida com uma rapariga estrangeira que se encontra na lavandaria.

This Is Just A Modern Rock Song: Há algo neste tema, maior que a própria vida. Tenho tentado perceber as razões que me levam a idolatrar esta canção a níveis quase indesejados. Talvez seja pelo termo Just, redutor porque a canção é enorme, redutor porque ela é épica (à sua maneira), redutor porque parece querer dizer "isto é apenas uma canção, na nossa apenas vida, no nosso apenas lazer, que afecta os nossos apenas sentimentos. Talvez a ame porque se gastou um tema perfeito instrumentalmente a descrever relações sociais. Talvez a ame por dois versos absolutamente irresistíveis, "I'm only lucid when I'm writing songs" e "I count three and four and we start to slow/because this song has got to stop somewhere".Talvez adore a canção porque é triste, como tudo na vida parece triste de quando em vez. Talvez porque é apenas melancólica, não tenta ser depressiva nem devastadora. Talvez porque quando a voz do Stevie e do Stuart cantam em conjunto, a nossa alma paira e só regressamos quando alguém nos lembra que a vida existe para além da melancolia, do arrependimento, do passado e da ausência daqueles que amamos do fundo do coração.

Há letras e letras. Há melodias e melodias. Há discos e discos…

Pedro Barbosa

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Boa noite, meus amigos.
Volto hoje, efectivamente, a este blog.

2 coisas:
Em primeiro lugar, um pedido de desculpas público ao Eduardo Palandi por ter desaparecido por uns tempos, meu nobre amigo. Estarei de volta uma destas noites.
Em segundo lugar, anunciar uma nova cara para o blog, Rita Lavos, que poderão conhecer a partir desta semana.

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Radiohead - "Pablo honey"

Antes de começar a falar sobre “Pablo honey”, primeiro disco do Radiohead (e lá se vão treze anos), deixa eu fazer uma pergunta: ao entrar nesse texto, você soltou alguma coisa do tipo “lá vem a ovelha negra”? Bom, se não falou ou pensou isso, alguém aí deve ter falado. Radiohead, em qualquer conversa, é quase sinônimo da trinca “The Bends” / “OK Computer” / “Kid A”. Seja qual forem as preferências musicais em debate. Dificilmente alguém se lembra de falar do “Hail to the thief” (o disco previsível), do “Amnesiac” (o disco ruim) ou desse aqui (o disco “mãe, eu sou do Nirvana!”).

Vacilo. Tenho todos os álbuns do Radiohead e descobri agora, quase dez anos depois de conhecer a banda, que meu preferido é o “Pablo honey”. Heresia? Depende. A coisa que mais me prende em um disco geralmente é a sinceridade do artista nele. Como nas estréias de Ramones e Sex Pistols, como em “Scott 4”, do Scott Walker, em “Summerteeth”, do Wilco, no “A new morning”, do Suede... e a lista segue. E, por mais que o Radiohead tenha se tornado genial na dupla “OK Computer” / “Kid A”, ele nunca foi tão sincero quanto na estréia.

A banda assinou com a Parlophone em meados de 1992 e lançou alguns singles que não geraram grande comoção no Reino Unido. Entraram para gravar o primeiro disco sob o descrédito da gravadora, nenhuma crítica apaixonada e vendagens medianas. Esse “desprezo” por parte do mundo fez com que a banda, aliada a uma produção competentíssima e pouco comentada, desse tudo de si nas sessões de “Pablo honey” e saísse de lá com um disco que reflete todas as angústias dos cinco jovens integrantes e, ao mesmo tempo, o desprezo coletivo que parecia se abater sobre eles.

“Pablo honey” abre com “You”, uma balada de amor obsessivo coberta por guitarras apocalípticas. Thom Yorke diz que ela é o sol e a lua e as estrelas, e que ele nunca poderia fugir dela, que faz tudo funcionar em meio ao caos, enquanto ele não acredita em si mesmo. Palhetadas. Berros. “É como se o mundo fosse acabar em breve”, enquanto Jonny e Colin Greenwood mantém uma tensão permanente. Segue-se “Creep”, outro hino da baixa auto-estima e a música que catorze entre dez brasileiros pedirão ao Radiohead para que toque, quando a banda vier ao Brasil, em 2018. Se eles toparem, será uma catarse: dezenas de trintões cantando “mas eu sou um feio, sou um esquisito / que c****** eu tô fazendo aqui? / eu não sou daqui”. Se não, a versão original, que os produtores Paul Q. Kolderie e Sean Slade acharam que era cover de Scott Walker, dá conta do recado.

“How do you” conta, em terceira pessoa e em dois minutos, a vida de um mala metido a gostosão, que vive com a mãe, sacaneia os amigos. Provavelmente, foi escrita para algum desafeto. A cada refrão, Thom repete “e você?”, como se quisesse saber qual é a do ouvinte. Logo depois, “Stop whispering”, a única faixa ruim do disco, cuja letra é mais uma prova do momento loser pelo qual Thom Yorke passava: “e minha mãe diz ‘nós cuspimos no seu filho mais um pouco’ / e os prédios dizem ‘nós cuspimos na sua cara mais um pouco’”. Deprimente. Um dos fansites do Radiohead diz que esta canção é uma homenagem aos Pixies, tentando soar como eles – deve ser por isso que é ruim. A sensação de inadequação segue com “Thinking about you” e sua bela levada de violão: fala sobre ser deixado por alguém que virou famoso. Pouco se sabe sobre a vida amorosa dos cabeças de rádio, ainda mais numa fase tão derrotista – não deve, portanto, basear-se em experiências próprias de ninguém da banda.

A primeira metade do disco é encerrada com o humor de “Anyone can play guitar”, sacaneando os rock stars e repetindo “I wanna be, I wanna be, I wanna be Jim Morrison”, em pleno deboche. A essa altura, percebe-se que a estrutura musical das canções do início da carreira do Radiohead, sempre com duas ou três guitarras, baixo e bateria e no formato versos – refrão – versos, fazem pensar que a banda que gravou o “Kid A” não é nem do mesmo planeta que a do “Pablo honey”. Mas o valor de Thom Yorke cantando “cá estamos, com nossa correria e confusão / e eu não consigo mais deixar de ver a confusão” vale pelos últimos cinco anos da carreira do grupo.

O lado 2 abre com “Ripcord” e sua explosão grunge: a letra é sobre o contrato conseguido com a gravadora e a falta de perspectivas para a vida; o contrato ressurge na faixa seguinte, “Vegetable”, que fala das brigas com quem não acreditava no potencial do Radiohead. Antes de detalhar a canção, a sentença: “Vegetable” é sensacional. Tem a melhor performance vocal de Thom Yorke, um dos riffs de guitarra mais legais que alguém já colocou na abertura de uma música e uma letra simples e direta. Até cheguei a fazer uma versão, em português de Portugal, mas não mostro nem sob tortura. O texto de “Vegetable” é agressivo como todo o disco:

Eu nunca quis nada além disso
Eu trabalhei duro, tentei duro
Eu contornei disputas domésticas
Eu lutei duro, morri duro

(...)

Toda vez que foges pra longe de mim
Toda vez que corres, eu posso ver

Que não sou um vegetal
Eu não vou me controlar
Eu cuspo na mão que me alimenta
Eu não vou me controlar.


(...)

Depois de tanto insistirem, eles estavam contratados e agora (com razão) jogavam isso na cara de quem não acreditou, para voltarem em “Prove yourself” dizendo que não agüentavam mais respirar nessa cidade e que trabalham, sangram, ajoelham e rezam, mas preferiam estar mortos. Ah, a inadequação juvenil... o fato é que a banda logo parou de tocar “Prove yourself” ao vivo, por se espantarem com a molecada repetindo “I’m better off dead” (risos).

Só uma banda tão loser poderia batizar uma canção de “I can’t” (“eu não posso”), e ainda começar pedindo: “por favor, esqueça as palavras que vomitei / não era eu, era minha dúvida, feia e estranha”. E que, logo depois, cometeria outra obra-prima da auto-estima zero, de nome “Lurgee”:

Eu me sinto melhor
Eu me sinto melhor agora que você se foi

Eu estou melhor,
Eu estou melhor, eu estou mais forte

Eu me sinto melhor
Eu me sinto melhor agora que não há nada de errado

Eu estou melhor
Eu estou melhor, eu estou mais forte

Conte-me algo
Conte-me algo que eu não sei

Conte-me uma coisa
Conte-me uma coisa, deixe ir


Você já esteve numa situação dessas, de estar com alguém, não saber como agir e querer ir embora? Ou então de saber o que fazer mas simplesmente desejar que essa pessoa estivesse bem longe? Não responda em voz alta, por favor. É triste, mas é comum. Como já disse um amigo, “no amor não existem saídas, ninguém está certo ou errado, não existem regras. Existe você e existe quem você ama”. Feche os olhos, ouça a guitarra de “Lurgee” (gíria para doenças infecto-contagiosas) e boa sorte. E o disco fecha com “Blow out”, uma fria canção de ninar que diz, entre outras coisas, “o tempo todo matando o que sinto” e “tudo que eu toco vira pedra”.

Gastei todas essas linhas apenas para dizer que o que o Radiohead fez em “Pablo honey” é se mostrar, sem vergonha nenhuma, sem se importar com o que os outros diriam, sem enfeitar seu som. Uma crueza difícil de se encontrar, um momento que a banda igualaria em qualidade em “OK computer” e “Kid A”, mas jamais em sinceridade.

Terça-feira, Abril 18, 2006

Ele há cada coisa... 2

bem...

particularmente, acho que a carreira solo do Moz alterna altos (Vauxhall & I) e baixos (Kill uncle). mais do que ser copy/paste, datado ou qualquer outra coisa, acho-a inconsistente, e que os grandes temas devem preencher uma compilação dupla.

quando o "Quarry" saiu, gostei muito de "First of the gang to die", por exemplo, mas o facto é que é um disco que não me apetece ouvir por muitas e muitas vezes, tal qual um dos Smiths, ainda que com bons momentos. um pouco triste, visto que também as novidades do mercado (Arctic Monkeys, Wolfmother, o segundo do Franz Ferdinand) também não me agradaram muito.

quando foi anunciado que o "Ringleader of the tormentors" seria gravado na Itália (país de minha família materna), fiquei entusiasmado. sabe-se do gosto dos italianos pelo belo, e sabe-se da capacidade que têm de inspirar estrangeiros em busca de novos ares. quando ouvi os três primeiros temas, no entanto, fiquei um pouco chateado. e decidi fazer-me a pergunta: "Has the world changed or have I changed?"

acho que fui eu quem mudei. os Smiths foram a trilha sonora da minha vida dos quinze aos vinte anos, de modo que colecionei todos os discos, em vinil e cd, presenciei um concerto do Morrissey em São Paulo na turnê "Oye Esteban", passava meu tempo a traduzir suas letras. no entanto, é preciso reconhecer que, por mais que o valor sentimental e as guitarras do Johnny Marr sejam atemporais, o modo pelo qual somos tocados pelos temas muda. e ao sair da adolescência, os Smiths perderam o estatuto de minha banda preferida, cedido ao Suede.

o motivo disso, intrinsecamente, é que o Morrissey, aos quase quarenta e sete anos, continua a lamentar-se como se estivesse em 1985. outros artistas amadureceram, mudaram seus pontos de vista, viveram outras coisas - têm, portanto, mais a ver com a mobilidade de nossas vidas, ao passo que o topetudo parece preso ao passado - se não na forma, ao menos no conteúdo.

então, Pedro, acredito que por mais que continues a gostar do "The queen is dead" e dos outros trabalhos de culto da carreira do Morrissey, o modo como vês a produção recente dele é um pouco reflexo de uma mudança pessoal. tu não perdeste a sensibilidade - apenas acredita noutras coisas.

a propósito: o IC24 estava ou não congestionado?

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Ele há cada coisa...

...liguei o rádio do carro para saber se o IC24 estava congestionado e qual não foi o meu espanto ao ouvir You Have Killed Me (numa estação "generalista", longe de apoiar artistas que não "compram" publicidade), o novo single do novo albúm do novo... Morrissey.

Vá lá, por muito desapontados que vocês fiquem por eu dizer o que se segue, também a mim muito me custa "deitar abaixo" um dos meus maiores ídolos. Morrissey já me tinha desiludido, e muito, com You Are The Quarry, mas este single é demais.
Eu não espero mais canções a roçar Smiths mas, pelo menos, algo como Suedehead, The Last Of The Famous International Playboys ou Such A Little Thing Makes Such A Big Difference. You Have Killed Me parece ter sido objecto de copy/paste de This World Is Full Of Crashing Bores ou qualquer uma das canções do último albúm. Peço desculpa mas eu fiquei feliz com o anúncio de fim de carreira de Morrissey há cerca de um ano atrás. O inglês parece ter mudado de ideias e é o fim de um mito, por muito que os jovens de hoje se entusiasmem com as entrevistas que o ícone dá e com aquela pose Sinatra meets Lennon...

Terça-feira, Abril 11, 2006

quando até a mailing list se torna algo lamentável

nalguma noite de muitos copos, vários anos atrás, eu devo ter assinado a mailing list dos Gomez, aquela bandinha britânica que lançou bons discos até 2000 e depois experimentou uma decadência acentuadíssima. e hoje, vejam só, recebi uma mensagem deles. tudo normal, não fosse o facto de que ela veio nove vezes. como a banda não lança nada "aceitável" faz seis anos e que eu não sou surdo pra ouvir nove vezes que eles estão fazendo apresentações na Inglaterra, resolvi responder:

Hello Gomez,

I just want you to know that I received nine times the following email. As the band doesn't release a good album since "Abandoned shopping trolley hotline" and I don't want to know nine times about concerts that will happen 5.000 miles away from my home, fuck you. I've added the domain to my blackmail list.

regards

Eduardo


se algum spammer me matar cruelmente nos próximos dias, vocês sabem de que website ele era. ademais, não comprem discos dos Gomez, nem mesmo os bons: baixem-os.

Domingo, Abril 02, 2006


Os Best-Of têm características muito especiais. Camuflam-se uma série de singles em compilações de nomes suspeitos (Best Of, Perfil, The Story Of, /inserir ano – /inserir ano) e lança-se mais um disco no mercado, por vezes com fins lucrativos, retrospectivos ou então para se terminar em beleza.
Normalmente, é feito o esforço para juntar um ou dois originais a essa mistura de grandes sucessos. Também se inclui um pequeno livro a discorrer os altos e baixos da banda, a posição que cada tema ocupou nos tops e os apelos ao coração com enormes dedicatórias para todos aqueles que se lhes atravessaram no caminho.
De qualquer forma, existem Best Of aos quais vale a pena darmos uma vista de olhos e ter na nossa estante. E é de um deles que vamos hoje falar…


In Time (1988 – 2003)
Os Rapid Eye Movement, mais conhecidos por R.E.M., são um caso singular na história da música. Têm uma boa dose de melancolia a soar a Smiths, popularidade para ombrear com os U2 e um líder de banda carismático. São singulares porque poucos são aqueles que os incluem na lista de “bandas da minha vida” mas devem ser menos ainda os que odeiam Stipe e Cª. e não nutrem alguma simpatia pelo trio. In Time não é do tempo de The One I Love, Fall On Me ou It’s The End Of The World As We Know It. In Time é a compilação dos singles da melhor fase commercial dos R.E.M. E ainda bem que o é. All The Way To Reno, Nightswimming, Sidewinder Sleeps Tonite e E-Bow The Letter estão lá. Estão lá o “you know who you are”, o “would you believe (that) they put a man on the moon?” e aquele refrão de Imitation Of Life.
Quando o display do leitor de cd’s aí de casa mostrar um 6, já os vossos ouvidos estão longe. É impossível não reconhecer a intro de Losing My Religion. Sabe bem ouvir isto, de tempos a tempos, tanto que um amigo meu lhe chama o “limpa-poros” tal é a sensação de liberdade. E Electrolite? Lembra-se do quanto esta canção lhe soava bem naquele verão do campismo?
Nestas coisas existe sempre um tema que já ouvimos tanta e tanta vez que o dedilhar da guitarra nos dá náuseas. Vá lá, tente ouvir Everybody Hurts de novo. É uma canção que sofreu níveis de exposição maiores que o centro de Hiroshima naquele Agosto mas é, ainda assim, um dos marcos históricos no que a música diz respeito. E como o tema que se lhe segue é At My Most Beautiful, os seus ouvidos vão desculpá-lo.
Stipe é um senhor e deu-nos um disco de bónus onde a versão acústica de The One I Love eclipsa todo o resto. Se não quiser ouvir este Best Of, tente não deixar de lado este tema, pelo menos.

Conclusão:
In Time não é propriamente a melhor coisa que a indústria discográfica viu mas é uma compilação bonita, de uma banda bonita que canta para pessoas bonitas. Não é o novo disco daquela banda underground que você adora. É mais uma espécie de Chateau Vincennes de ’38: doce, melhora com o tempo e lembra-lhe “aqueles” tempos…

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

passem longe

meu querido Marcelo, do Scream & Yell, pensa em fazer uma lista dos dez piores discos do rock brasileiro. sugeri a ele que falasse do primeiro dos Raimundos, um deplorável embuste que assombrou a música do país durante aproximadamente uma década. ele não gostou da ideia, mas eu não poderia deixar de adverti-los, publicando o texto a seguir.

*

Hiroshima, 1945. Maracanã, 1950. Vietnã, 1973. Challenger, 1986. Raimundos, 1994. Não é exagero: a estreia dos Raimundos é uma tragédia como todas essas outras, um cancro cuja metástase perdura até hoje no rock brasileiro. Tragédia porque este lixo foi o marco zero da degradação do nome de minha cidade, Brasília, na música nacional. Importar o som dos Rage Against the Machine, uma das piores bandas que o mundo já conheceu, preenchendo-o com letras misóginas, vazias, abusando de palavrões, lugares-comuns e muito mau gosto: a fórmula do fracasso.

Da forçosa ideia de mesclar ritmos do nordeste brasileiro à cretinice de versos como "O passarinho / tão bonitinho / é veadinho", passando pelo visual medonho e terminando num puteiro em João Pessoa, o primeiro disco dos Raimundos é de perder a fé na humanidade. Caso alguém levante a mão para falar de "virulência" e "energia", é só escolher um dos (muitos) termos chulos contidos no disco que eu xingo. E mando ouvir o "It's alive", dos Ramones, seguido pelo primeiro dos Suede.

Não há paciência ou adolescência que resista. Pobre Miranda (produtor do disco). E pobre do Brasil, que graças a esse embuste, teve de amargar Maskavo, Charlie Brown Jr., Ostheobaldo, O Surto, Baba Cósmica, Phonopop e tantos outros que se aventuraram na fórmula "a gente somos (sic) maneiros e curte um Rage" ou fizeram de Brasília motivo de riso.

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

É ao som de Feeling Good que me despeço deste fenomenal, grande e , without a doubt, charmoso blogue. Diria que foi fantástico partilhar com estes rapazes um espaço que me vai deixar muitas saudades.. aprendi muito e fico eternamente grato por isso. Orgulho-me de ter pertencido a esta equipa! Obrigado a todos.
    Saio com o "patrão" ;)

    Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

    Os melhores de 2005 (ou como abandonar um blog...)

    Top 20 Internacional 2005:

    29 - Ryan Adams
    Mississuaga Goddam - The Hidden Cameras
    Here Come The Tears - The Tears
    The Great Destroyer - Low
    Oh, You're So Silent Jens - Jens Lekman
    Lady Sleep - Maximilian Hecker
    The Misterious Production Of Eggs - Andrew Bird
    Ruby Blue - Roisin Murphy
    Eponymous - Broken Social Scene
    Apologies To The Queen Mary - Wolf Parade
    Emoh - Lou Barlow
    Appropriation - The Long Blondes
    Want (Two) - Rufus Wainwright
    Criple Crow - Devendra Banhart
    Funeral - The Arcade Fire
    Picaresque - The Decemberists
    Coles Corner - Richard Hawley
    Eponymous - Clap Your Hands Say Yeah!
    Eponymous - Sofa Surfers
    Eponymous - The Magic Numbers


    Top 5 Portugueses 2005:

    Up On The Walls - The Vicious 5
    Homónimo - post hit
    A Fábrica Dos Sons - António Victorino D'Almeida
    Homónimo - Bangguru
    Twice The Humbling Sun - Old Jerusalem

    Não era suposto o 29 estar em primeiro. Foi o último disco, dos 20, que eu ouvi. Porém, seria impossível não considerar 29 o melhor do ano quando este disco é o melhor da carreira do homem que já lançou Heartbreaker, The Suicide Handbook e Gold, só para citar alguns. The Sadness, Carolina Rain, Starlite Dinner... a lista de canções maravilhosas continua ao longo do alinhamento. Voices, do mesmo 29 é, muito provavelmente, a canção do ano. Perfeita.

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    Fundei este blog em Agosto de 2004. Convidei o Eduardo Palandi e o João Martinho para se juntarem a mim, desde logo. Passado algum tempo, endossei outro convite, desta feita ao Manuel e, por último, convidei o Luís para fazer parte deste cantinho. Blog de todo o tipo de cultura no início, rapidamente se transformou exclusivamente em espaço musical. Falei das bandas que mais gosto, publiquei especiais e alojei mp3. Orgulho-me muito do blog que conseguimos e no qual me diverti tanto.
    Agora, é tempo de outros projectos. Porque um criativo, como eu sou, procura sempre novos espaços, ocupações e pessoas. Saio, mas o blog não acaba. Estes 4 rapazes vão continuar o trabalho que eu iniciei. Saio, como entrei, em pezinhos de lã...

    Sábado, Dezembro 03, 2005

    as minhas listas

    internacionais

    1. Architecture in Helsinki – In Case We Die
    2. Andrew Bird – The Mysterious Production of Eggs
    3. Silver Jews – Tanglewood Numbers
    4. Esbjörn Svensson Trio – Viaticum
    5. Khonnor – Handwriting
    6. The Arcade Fire – Funeral
    7. Devendra Banhart – Crippled Crow
    8. Iron & Wine + Calexico – In the Reins
    9. You Say Party! You Say Die! – Hit the floor!
    10. The Clientele – Strange Geometry
    11. Gang Gang Dance – God’s Money
    12. Calla – Collisions
    13. Tom Zé – Estudando o Pagode
    14. Lou Barlow – Emoh
    15. Konono Nr. 1 – Congotronics
    16. Damon and Naomi – The Earth is Blue
    17. Josh Rouse – Nashville
    18. Jens Lekman – Oh You're So Silent Jens
    19. Animal Colective – Feels
    20. And You Will Know Us By The Trail Of Dead – Worlds Apart

    nacionais

    1. Old Jerusalem – Twice The Humbling Sun
    2. Galandum Galundaina – Modas I Anzonas
    3. The Vicious 5 – Up On The Walls
    4. Rocky Marsiano – The Pyramid Sessions
    5. Carlos Bica – Single

    Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

    "Lançado em Abril de 2005, In Case We Die dos Architecture In Helsinki é sério candidato a figurar na lista dos melhores discos do ano" João Martinho

    "Os The Tears estão aí para um dos melhores discos do ano com Here Come The Tears" Pedro Barbosa

    "Seguindo a linha ascendente de Cast Of Thousands, os Elbow conseguem em Leaders Of The Free World um disco luxuoso, complexo, cheio de grandes momentos" Eduardo Palandi

    "Os Depeche Mode conseguem, em Playing The Angel, o melhor álbum na carreira pós-Violator" Luís Lisboa

    Lista dos melhores álbuns do ano. Brevemente, num blog perto de si.

    o que nos espera 2006...

    belle and sebastian - the life pursuit (another sunny day - mp3)

    cat power - the greatest (the greatest - mp3)

    The Smiths, The Queen Is Dead, Meat Is Murder e Strangeways Here We Come são nomes de 4 discos dos The Smiths. Pronto, são nomes de 4 dos 20 melhores discos de sempre. E todos eles serão analisados pelos membros do The Sound Of The Streets, num especial a publicar dentro de poucos dias.

    Terça-feira, Novembro 29, 2005

    Parabéns a você, nesta data querida
    muitas felicidades, muitos anos de vida
    Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas
    Para a Mondo Bizarre, uma salva de palmas.

    Domingo, Novembro 27, 2005

    na estrada

    meus queridos,

    andava sem contribuir para o blógue por um motivo simples: não estava ouvindo música ultimamente. no entanto, no começo do mês, ganhei um Ford Fiesta do meu pai, que já veio equipado com um CD player, claro. aí vi-me "obrigado" a ter uma banda sonora para meus passeios de carro, o que fez com que eu baixasse discos e mais discos. aí vão algumas coisas que escutei desde então. o que acham de sairmos com nossos Fiestas em busca de diversão e miúdas que escrevem SMS em galego?

    *



    Peter Gallagher - "7 days in Memphis": alguém aí assiste "The O.C."? Peter Gallagher, na série, interpreta o Sandy Cohen, advogado pissa-grossa que é pai do Seth. bem, depois que ele cantou "Don't give up on me", do Solomon Burke, num episódio da segunda temporada, recebeu um convite para gravar um álbum. enfileirou outros temas de soul music ao que já tinha interpretado na TV e o resultado é esse disco, lançado no começo do mês. não é um "Dog man star", nem mesmo um "Mellon collie and the infinite sadness", mas é um bom disco. apesar dos arranjos um tanto melosos, o Gallagher (nenhum parentesco com os adoráveis arruaceiros do Oasis) canta bem, totalmente heartfelt. recomendo o tema de número 9, "Leave right now", excelente.

    avaliação: 7/10

    *



    Elbow - "Leaders of the free world": por alguns motivos desagradáveis, decidi que me afastaria do rock and roll e passaria a ouvir apenas música clássica e jazz. tenho cumprido a promessa, com algumas exceções: esse terceiro trabalho dos Elbow, por exemplo. seguindo a linha ascendente do "Cast of thousands", esse aqui é luxuoso, complexo, cheio de grandes momentos. destaco as faixas 2 e 4, "Picky bastard" e "The stops". mas a faixa título também é uma grande pedida.

    avaliação: 8/10

    *



    Talvin Singh - "Back to mine": o que lhes vêm à cabeça quando pensam em Índia? curry, homens de turbante atrás dos balcões de lojas de conveniência em Londres e Goa? pelo menos é isso o que vem na minha. tenho algum interesse por música indiana, e achei que uma compilação assinada pelo Talvin Singh, anglo-indiano que é um grande DJ de música electrónica... e que também toca tablas. bom, não é um panorama da música indiana actual, mas tem uns grandes temas. e se alguém aí souber de uma compilação de música indiana (sem ser de mantras para dormir enquanto se usa um incenso), me indique, por favor.

    avaliação: 6/10

    Sábado, Novembro 19, 2005

    Que me dizem de inaugurar a versão invernal do The Sound Of The Streets com um super especial Britpop?

    Quinta-feira, Outubro 20, 2005

    O regresso


    Não é usual que uma banda viva o tempo suficiente para ver o seu o som inicial voltar novamente a estar na moda. Mas na verdade, após 20 anos, os Depeche Mode são o exemplo do pop electrónico da década de oitenta que continua a resistir. O trio (antigamente um quarteto) facilmente conquistou os EUA na década de oitenta e noventa com musicas que conjugavam um imaginário religioso com música electrónica vinda do purgatório.
    Durante esse processo eles obtiveram as tatuagens, os hábitos das drogas, experiências muito próximas da morte e as tensões e problemas de comunicação dentro da própria banda tudo caracteristicas que surgem associadas ao estrelato. Mas além disso foram capazes de influenciar praticamente todas as bandas que surgiram depois. E agora em Playing the Angel verificamos nas próprias letras essas mesmas experiências sendo a dor e o arrependimento sentimentos chave das mesmas.
    Não há dúvida que Playing the Angel é o melhor álbum na carreira dos Depeche Mode desde o Violator. A principal pista deixada no ar antes do lançamento do cd que conduzia nessa direcção foi uma frase de Dave Gahan na qual afirmava que estar neste momento nos Depeche Mode é melhor do que durante os ultimos 15 anos. Fazendo umas simples contas de matemática revela que Gahan acerta na época do Violator, uma época onde a criatividade e a popularidade da banda atingiam o seu pico. O som do 11º álbum dos Depeche Mode entra nos nossos ouvidos de uma forma surpreendente imbuído de vitalidade e perfeitamente actual.
    Um dos espinhos da politica interna do grupo que percorreu toda a longevidade dos anos passados a tocar em estádios foi a vontade extrema de Gahan em juntar-se a Gore na concepção das letras, da mesma forma que Gore sempre cantou uma ou duas músicas nos álbuns dos Depeche Mode. Após a criação do cd a solo, Gahan finalmente conseguiu levar para a frente a seu vontade incluindo 3 dos 12 temas presentes no álbum. E crédito terá de lhe ser dado pois “Suffer Well” é um dos temas mais fortes.
    Mas enquanto Gahan tenta criar o seu espaço na área criativa da banda, Gore demonstra que realmente sabe o que faz e a concorrência do seu companheiro fê-lo elevar a fasquia provando que é um dos melhores e consistentes músicos no activo. “A pain that i´m used to” tem um refrão estonteante típico dos Depeche Mode; “John the Revelator” é uma faixa que se reveste de antipatia em relação ao Cristianismo ”John the Revelator/ he's a smooth operator / it's time we cut him down to size..." e destaca-se devido à voz poderosa de Gahan; e “Precious” poderia muito bem ser retirada do catálogo das melhores músicas da banda reportando ao final da década de oitenta. “Nothing´s Impossible” surge com insistente e em crescente baixo e com uma letra ameaçadora "Just give me a reason some kind of sign / I'll need a miracle to help me this time" mas depois embala num terno refrão "Even the stars look brighter tonight / nothing's impossible / if you believe in love at first sight.", apenas para fazer referência a algumas faixas.

    Mas acho que já chega, como já devem ter reparado gostei bastante do cd e fez-me ficar ansioso por Fevereiro do próximo ano para os ver interpretar alguns temas deste registo que me parecem vir a ser verdadeiramente poderosos e intensos ao vivo. Por isso acho que vai ser uma longa espera.

    Segunda-feira, Outubro 17, 2005

    Witching Hour II

    Uma vez que o Palandi ainda irá escrever sobre o novo cd dos Ladytron não me vou alongar com muitas linhas no entanto não pude deixar de dar continuidade às hostilidades.
    Witching Hour é o terceiro álbum deste quarteto de Liverpool através de uma major, Island Records. Quando ouvi a primeira música deste novo cd foi uma agradável surpresa para os meus ouvidos. Ouvir os sons emitidos por músicas como Sugar, International Dateline ou Destroy Everything You Touch faz-me pensar que o electro-pop ainda consegue produzir verdadeiras pérolas. Utilizando guitarras em algumas faixas tornam-se ainda mais aventureiros. O som deles é muito soturno, escuro, denso mas sem dúvida que é muito “cool” tal como os seus autores. Parece-me que algumas das músicas pedem que sejam trabalhadas e com elas se façam remixes tornando-as perfeitas para pistas de dança. Mas é melhor parar por aqui pois este comentário serve apenas para adoçar a curiosidade. Mesmo que não se seja um particular apreciador de electro-pop aconselho vivamente a fazer-se uma audição a este disco pois facilmente se chega à conclusão que não é apenas um conjunto de sequenciadores a produzir música.

    Quinta-feira, Outubro 06, 2005

    cenas do próximo capítulo

    baixei, no começo desta semana, "The witching hour", terceiro disco dos Ladytron (descontado o álbum de dj set que eles lançaram, o incontornável "Softcore jukebox"). da primeira vez que ouvi, pareceu-me uma perda de tempo, mas resolvi dar uma segunda chance ao álbum e agora estou a ouvir os temas em separado - ficou muito melhor. aguardem para os próximos dias uma análise completa de "The witching hour"; para já, deixo uma pista: a última canção, "All the way", é prima de "What else is there", do novo disco dos Röyksopp.

    Terça-feira, Setembro 27, 2005

    Paz Interior


    Aparentemente Devendra Banhart não sabe o que quer dizer tirar umas férias e menos de um ano após o lançamento do cd Nino Rojo (o 2º longa duração que editou em 2004), o trovador regressa com o cd Cripple Crow composto por 22 temas e mais de 70 minutos de melodias.
    Em Cripple Crow conseguem observar-se algumas mudanças relativamente aos álbuns anteriores que poderão ou não ser provocadas pela mudança de editora e de produtor. Logo à partida regista-se uma ligeira mudança no território estilístico: um som menos folky e talvez mais eclético, demonstrando um crescimento no raio de acção de Banhart tanto ao nível da composição como da interpretação.
    Enquanto que os últimos trabalhos de Devendra poderiam considerar-se essencialmente um one-man show confiando quase em absoluto numa guitarra acústica e na voz, já em Cripple Crow a panóplia de instrumentos alargou-se. A esfera intimista que absorve profundamente o ouvinte, caracteristica dos Nino Rojo e Rejoicing in the Hands foi substituída por uma atmosfera de comunidade. Julgo que o papel dele passou a ser de um líder de uma banda em detrimento daquela imagem de compositor solitário (a própria capa do CD apresenta um grupo grande de homens barbudos em vez dos desenhos habituais)
    Mas enganem-se aqueles que pensam que com isto ele abandonou a sua capacidade de deslumbrar o ouvinte. Devendra com a sua capacidade de multiplicar a sua própria voz, de se entregar sem qualquer erro à sua exploração apenas contrasta com a homogeneidade dos seus trabalhos anteriores, acrescentando ainda mais originalidade a Cripple Crow.
    Tal como as melodias as letras de Banhart parecem ainda mais coesas e disciplinadas apesar de manter a sua proximidade a rimas um pouco curiosas e por vezes sem muito nexo mas não deixando por isso de parecer expontâneas e genuínas.
    Normalmente não tenho por hábito fazer uma análise muito profunda sobre os temas das letras mas neste caso acho que se torna incontornável. Acho que será impossivel discordar que o tema central deste Cripple Crow será a infância pois não só o álbum transborda imagens the bébés e crianças mas toda a sua essência e o seu interior é percorrido por modos verdadeiramente “infantis”. Com isto quero apenas dizer que ouvindo este disco podemos saborear improvisação e acima de tudo alegria.

    Ele está carregado de beleza e de uma suave leveza pressionando-nos a acreditar e a ter esperança apesar de todas as contrariedades da aldeia global que habitámos.
    Apesar de ser mais polido e disciplinado que os álbuns anteriores, Cripple Crow é Devendra Banhart no seu estado mais puro, relaxado e pacifico. No meu ponto de vista Crow abraça a paz, o amor e sobretudo a alegria. Alegria e paz interior que Devendra partilha através da música que faz e tenta transmiti-la aos outros provando que é uma força carismática e talentosa da música dos nossos dias.

    Quinta-feira, Setembro 22, 2005

    Quinteto Tati

    meus queridos, escrevi uma resenha sobre o "Exílio", do Quinteto Tati, para o Scream & Yell, website brasileiro sobre cultura pop. não a coloquei aqui por achar que os brasileiros, que acessam maciçamente o S&Y, precisam muito conhecer a banda. tudo bem, mesmo os portugueses deveriam conhecê-la melhor e evitar o "Dragostea din tei" e o "Crazy frog", mas enfim... viva o intercâmbio cultural.

    mas é claro que o Marcelo, meu amigo e editor do S&Y, colocou um link para nós no texto. alguém aí quer vir passar uma temporada no Brasil? :)

    Quarta-feira, Setembro 21, 2005

    se liga, Pitchfork #3

    mais algumas análises de faixas lançadas agora...

    dEUS - "Include me out". não é single, não tem guitarras altas, não tem mudanças de andamento, não vai fazer sucesso, já que o disco sequer entrou no top 40 britânico, não vai trazer a banda para novos concertos no Brasil, não é uma inovação, não é pra fazer ninguém dançar. e não vai sair do repeat, porque não é todo dia que escuto um tema tão belo assim. nota 9.

    Paul McCartney - "Fine line". a harmonia é típica dos Beatles. o tesão em tocar, também. ele era dos Beatles, então tudo faz sentido. nota 8,5.

    Starsailor - "In the crossfire". eu sei que o Manuel odeia a banda, conforme as resenhas que ele publicou aqui ano passado deixam transparecer. mas eu, que já havia ficado entusiasmado com o "Silence is easy", fiquei ainda mais com essa paulada, que começa calma e termina como uma erupção vulcânica. nota 8.

    Terça-feira, Setembro 20, 2005

    Desta feita vou escrever algumas linhas sobre um álbum que já foi editado há alguns meses mas só nos últimos tempos eu tenho dado alguma atenção. Trata-se do longa duração de estreia da banda de Nova Iorque The Bravery.
    A banda é cosntituída por Sam Endicott (voz, guitarra, programação), Michael Zakarin (guitarra), John Conway (sintetizador, programação), Mike H (baixo) e Anthony Burulcich (bateria).
    The Bravery é uma banda com um ritmo acelarado que não tem nada a perder. Musicalmente eles são quase como um regresso ao passado, fazendo uma mistura explosiva de sonoridades como os Joy Division, Bauhaus, The Cure, Depeche Mode, Duran Duran e alguns mais, tornando a sua produção musical a melhor forma de revivalismo dos seus predecessores.
    O efeito retro, apesar de continuo, coloca os The Bravery afastados de tudo o que se faz no momento. Apesar de por vezes comparados aos “The Killers” (um erro comum - julgo que seriam mais facilmente comparáveis a uns Editors que também bebem muito nas influências Joy Division e Bauhaus) a única ligação com eles, a meu ver, será a editora ser a mesma.

    Neste disco é possivel encontrar pelo menos uma boa meia dúzia de possíveis êxitos. "Unconditional", "Honest Mistake", "Fearless" são músicas destinadas ao sucesso. "Public Service Announcement", "Ring Song" e "Out of Line"("Hey sweet Cassandra, remember me?") têm qualquer coisa de Lou Reed pelo meio. E finalmente a faixa verdadeiramente viciante intitulada "Tyrant" entra no ouvido e parece não querer sair.

    Para quem não conhece justifica-se uma audição deste CD que é na minha óptica muito bom (obivamente não sendo uma obra-prima).
    Falta saber até que ponto este disco irá ter uma continuação ou será apenas um bom álbum de estreia e depois toda a capacidade criativa desaparece com a edição do 2ºCD.

    Segunda-feira, Setembro 19, 2005

    Architecture in Helsinki - In Case We Die


    Quando se fala em arquitectura em Helsínquia, o nome que nos surge é Alvar Aalto. Muito bem, esqueçam isso. Os Architecture in Helsinki não são finlandeses, mas sim australianos. Mas isso também pouco interessa. O que interessa é que o novo álbum de originais da banda, “In Case We Die”, lançado em Abril de 2005 é um sério candidato a figurar na lista dos melhores discos do ano.

    Em doze músicas apenas, imaginamo-nos em lugares completamente diferentes uns dos outros; lembramo-nos de vários artistas e bandas; e mais importante, ganhamos asas e voamos ao som das palmas, dos coros e do bater do pé, que não conseguimos evitar.

    Há quem diga que são parecidos com estes ou aqueles; eu não concordo. O som dos australianos é riquíssimo e, apesar de nos sugerir várias bandas, a forma como apenas uma música pode conter várias referências e de campos completamente diferentes, seria muito redutor catalogá-los. Arrisquem uma audição no site da da banda e fechem os olhos. A viagem é por conta da casa.

    Quinta-feira, Setembro 15, 2005

    o único tema ouvido no dia

    Tom Jobim - "Querida". mais gostoso do que frango assado.

    O verdadeiro espírito…..


    ....saudosista. É verdade, como já podem ter reparado através da imagem ao lado, hoje decidi ir buscar um cd à prateleira que já não ouvia há algum tempo. E depois de o escutar passado este tempo, tendo com isso ganho um certo distanciamento em relação aos sons e imagens da época, é agora possível escrever algumas linhas sobre esta preciosidade.
    O CD duplo Sci-Fi Lullabies editado em 1997 é composto por 27 faixas aglomerando músicas de 13 EP´s editados desde 1992.

    Beleza, ou melhor dizendo glamour, foi sempre a raison d´être dos Suede e essa qualidade que implica carisma, confiança, estilo está presente de forma abundante nesta compilação.
    Para mim, o facto mais claro sobre o Sci-Fi é que os Suede foram capazes de criar ao longo dos primeiros anos de carreira os melhores B-Sides do panorama musical. Esta compilação demonstra como os Suede foram capazes de mudar o termo b-side de algo escrito à pressa entre duas actuações ao vivo de forma a entrar no lançamento do single da próxima semana para algo que foi escrito entre a edição de 2 álbuns e que está presente num single de forma a engrandecer essa mesma música.
    Só para ficarem com uma pequena ideia do que eu estou a falar, a música de abertura da compilação, “My Insatiable Ones”, foi tocada por diversas vezes poucas semanas depois da sua edição em diversos concertos do Morrissey.
    Sci-Fi Lullabies capta de forma magnifica a suave mistura que os Suede fazem dos acordes da guitarra pop de uns Blur, as baladas sensuais de uns Pulp, o glam de uns Manic Street Preachers e o pretensiosismo de uns Oasias
    As músicas presentes neste duplo cd transmitem-nos misturas de guitarra e voz que simultaneamente atraiem-se e afastam-se e acabam por produzir um som bem melhor que um b-side deveria ter.
    Na realidade o primeiro disco da compilação ( reúne o espaço criativo dos álbuns Suede e Dog Man Star) é tão forte e penetrante como qualquer desses álbuns podendo realçar músicas como “He´s Dead”, “The Living Dead” (onde a música é despida da guitarra proeminente dando lugar à voz em falsetto e forma a ouvir os Suede em silêncio e quase solene) “My Dark Star”, o estrondoso “Killing of a Flash Boy”, “Where the Pigs don´t fly” e “Whipsnade”, todos tão fortes como os a-sides.
    O 2ºdisco apesar de não ser tão consistente (quem sabe devido aos temas serem retirados dos singles do Coming up) consegue demonstrar a banda explorando um lado mais escuro, mais arriscado que foi colocado de parte nesse disco (se calhar vou criar alguns inimigos mas na minha perspectiva podemos chegar sempre à mesma conclusão, o Bernard Butler dos 2 primeiros cd´s era um guitarrista bem mais visionário que o Richard Oakes em Coming Up – mas não é sobre esse assunto que eu hoje estou a escrever).

    Em contradição com a maioria das compilações desta índole o Sci-fi Lullabies é muito mais extenuante e para qualquer fã da Pop Britânica isto é material essencial confirmando apenas o estatuto da banda como uma das maiores da década de 90.
    Acho que agora consigo de uma forma mais real e verdadeira olhar para este trabalho e conceder-lhe todos os créditos que merece pois é sem dúvida um disco (na realidade dois) onde toda a qualidade da música dos Suede é transposta e para quem tivesse alguma dúvida sobre o valor da mesma pode dissipá-la através do Sci-Fi Lullabies.

    Terça-feira, Setembro 13, 2005

    Tied To Reviews #4

    Um autêntico “Onde estavas quando…?” do tempo em que a MTV ainda sabia convidar os melhores para um acústico. Este disco nem deveria ter a chancela dos Nirvana, porque Kurt Cobain eclipsou tudo e todos, nessa noite. Apesar da imagem dos Nirvana se ter começado a denegrir no mundo alternativo, ao longo dos últimos anos, este é ainda um dos melhores LP’s que o mundo já ouviu, apesar de Kurt já não ser vivo e de eu já não ser hippie. As covers The Man Who Sold The World e Where Did You Sleep Last Night, bem como as interpretações de About a Girl, Something In The Way e Come As You Are são referências obrigatórias na banda-sonora da vida de qualquer um. Um marco na história da música. Desculpem-me os pseudo-indies.
    8/10
    No país de Springsteen, Kurt Cobain e Ryan Adams, Pete não deixa o legado em maus lençóis. Na verdade, parece ter sido influenciado pelos 3. Em musicforthemorningafter, disco de estreia, Yorn deixa-nos alguns dos melhores temas pop/rock dos últimos anos como Life On A Chain, Strange Condition ou Murray. Por vezes, o rapaz cai em exagero, descaracterizando-se e ao disco. Porém, para ser sincero, os defeitos de alguns temas são compensados nas belíssimas Just Another, EZ e June. A nota final é claramente inflacionada por Simonize, provavelmente, os 2:53 mais tristes do mês: a canção é cantada de 3 maneiras, com Pete Yorn a encetar quase melosamente, crescendo para um tom de voz sóbrio e sincero, desaguando numa explosão maravilhosa de angústia, clemência e desespero.
    7/10
    Help! engana. O ouvinte comum pode ouvir todo o disco, concluindo que ele é pop à la Beatles. Bem, Help é bem mais que isso. Help!, é melancolia pura sustentada em velhos órgãos, back vocals e uma sonoridade quase western, por vezes. Recheado de versos absolutamente fenomenais, por parte de Lennon, Help! vê também 3 das canções mais cantadas de sempre no seu alinhamento: Yesterday, Help e You’ve Got To Hide Your Love Away. E estas 3, em conjunto com I’ve Just Seen A Face, It’s Only Love, You Like Me Too Much e I Need You, fazem de Help! uma das melhores bandas sonoras de sempre, bem como um dos melhores discos da banda mais famosa de todo o planeta.
    7.5/10

    Segunda-feira, Setembro 12, 2005

    Bom disco, mau disco, boa produçao, má produção, canções down-to-earth, canções up-to-hell, não interessa. O The Sound Of The Streets foi vasculhar os arquivos da BBC Radio e deixa-vos um pequeno presente para terminar, pelo menos para os próximos meses, a discussão sobre os The Tears, da melhor forma. Ouvindo-os.

    Autograph (versão acústica)

    Duelo ao pôr do sol...


    ...com os Dead. Combo. Mais uma vez tive o prazer de estar presente num concerto desta dupla mortífera, desta feita no auditório do Passos Manuel na cidade do Porto.
    Os Dead Combo são Tó Trips nas “guitarras desajeitadas” e Pedro Gonçalves no “contrabaixo tuga e “guitarra desajeitada”, como eles próprios afirmam.
    Os Dead Combo pegam na essência do fado e cobrem-no com pó vindo do Western, e, nas palavras dos próprios, “tocam Lisboa, a cidade do campo, das chaminés e das cúpulas brancas, cenários de um passado perdido, o fado, o Western vadio, tudo junto num voodoo de emoções, clichés e histórias entre o Tejo, as estradas do sul, os amantes desencontrados, anjos abandonados nas encruzilhadas do destino, vozes de mulheres, flores com cores trocadas, santos, câmaras ardentes, guitarras despidas, cuspidas e deitadas à rua, contrabaixos em fogo, cartolas, galinhas à solta e coisas que rolam na rua”.
    Tinham acabado de nascer os Dead Combo, uma nova banda instrumental portuguesa inspirada na música de Carlos Paredes, na marginalidade do fado vadio e nas cowboiadas passadas num deserto imenso. Aliando um lado visual forte com a melancolia lisboeta, o ouvinte entra num mundo misterioso e romântico, onde a paixão se encontra no virar da esquina, no meio de algum sangue e de lágrimas derramadas no chão.
    Apesar de a sala estar particamente cheia na minha opinão a sala deste auditório é demasiado grande para o tipo de música que esta dupla produz. Os Dead Combo necessitam de um espaço intimista, escuro, carregado de fumo onde haja uma grande proximidade com o quem está a assistir à performance de dois excelentes músicos.
    A actuação deles foi bastante sui-generis. Para mim acabou por ser muito interessante mas no final o espetáculo as opiniões eram diversas.
    O alinhamento do concerto passou pelos hinos do primeiro cd tais como “Cacto”, “Pacheco” ou “Rumbero” mas também serviu para mostrar algumas músicas que possivelmente alinharão no Vol.2 com edição para breve. Foi possível reparar que o espírito western misturado com o fado vadio é perpetuado para o novo cd e exemplo disso é música intitulada “Assobio” dedicada ao avô do Tó Trips e que é simplesmente assombrosa.Apesar de tudo isso o concerto foi bastante atribulado. Desde diversos enganos que os músicos cometeram até guitarras desafinadas, tudo aconteceu no concerto. Mas talvez devido ao Tó Trips estar deveras comunicativo (o que não é nada habitual) e completamente descontraído tudo decorreu de uma forma natural e sem stress. Diversas as músicas foram paradas a meio e reiniciadas e até o Pedro Gonçalves teve de dar umas dicas ao Tó Trips de como afinar a guitarra. Toda a situação foi bastante hilariante e no meu caso pessoal que já os tinha visto numa actução exemplar tudo serviu para assistir a um concerto diferente mas igualmente excelente. É uma excelente banda, que produz música de altissima qualidade e um concerto dos dead Combo é experiência inesquecivel (quer eles desafinem quer não).

    Sábado, Setembro 10, 2005

    Hilary Duff - "Most wanted"


    bem, pode causar algum estranhamento falar desse disco aqui. mas é música, então teoricamente está dentro do assunto do blógue.

    Hilary Duff, essa gracinha, é uma das milhares de cantoras pop que surgem todo ano, notadamente nos EUA e Reino Unido, dispostas a destronar a Britney Spears do estatuto de teenage idol. todas aventuram-se a fazer filmes, dão entrevistas falando de sua vida sexual, associam-se a produtores que sabem compor hits que vão directo ao primeiro lugar das paradas de sucessos.

    mas, sabe-se lá o porquê, tem algumas com quem simpatizo. a primeira delas foi a Sophie Ellis-Bextor, por eu estar em Londres quando do lançamento de seu primeiro disco, "Read my lips", de 2001 - era impossível ficar indiferente a todos os anúncios estampando o (belíssimo) rosto da cantora. baixei o disco e me encantei com vários dos temas. mas então ela lançou um segundo disco bem ruim, tingiu os cabelos de loiro (não deu certo) e engravidou - três tragédias em menos de um ano.

    Hilary Duff, norte-americana que completa dezoito anos no próximo dia 28 de setembro, é outra das que me atraíram. não bastassem seus atributos físicos, a moça tem uma bela voz, que não irrita como a de uma Cristina Aguilera nem tem aquele gosto de cabo de guarda-chuva como a voz da Shakira. melhor de tudo, pouco fala sobre sua vida sexual, embora todo mundo acredite que ela seja virgem. particularmente, pouco me dá se ela é ou não - eu só gostaria que ela não falasse sobre isso, prezo demais a discrição.

    "Most wanted" é o cúmulo da picaretagem da indústria musical: uma compilação dos maiores êxistos de Hilary, mas ela só tem dois discos gravados! bem, isso pouco importa. abre o disco a inédita "Wake up", com seu bubblegum pop cativante. "The beat of my heart", outra das novas, também é contagiante, e só sairá da sua cabeça dias depois de entrar. "Come clean", sucesso que a moça registou no começo desse ano, surge em versão remixada, pouco alterada.

    na metade do disco, as guitarras ganham peso: "So yesterday", "Break my heart" e "Rock this world" mostram para a canadiana Avril Lavigne quem é que canta melhor. Hilary é co-autora de alguns dos temas do disco. se isso não quer dizer nada quanto ao valor dos temas (lembremos que Frank Sinatra, o maior cantor da história, pouco compôs), ao menos prova que Hilary se esforça em colocar suas emoções no papel e que, a seu tempo, pode vir a compor grandes temas.

    o piano que introduz "Fly" pode levar-nos a pensar nos Linkin Park ou mesmo nos Nightwish. por sorte, é apenas impressão. um dos poucos momentos realmente fracos do disco é "Supergirl", onde Hilary parece emular Shirley Manson, dos Garbage, em "Cherry lips" - mas, apesar da fonte ser das melhores, não dá certo.

    algumas edições trazem treze temas, outras trazem dezessete - a que está sendo alvo desta resenha é a maior - afinal de contas, nossos leitores merecem o melhor. pena que "Girl can rock" não seja tão boa assim - a voz de Hilary parece, dessa vez, inspirar-se nas t.A.t.U. (alguém ainda se lembrava delas? nem eu), e apesar do ritmo desta canção ter um parentesco distante com "Filmstar", do Suede, é uma canção que não deve agradar nem às miúdas da 9ª série que escrevem SMS em galego. "Our lips are sealed", ao contrário, é uma delícia pop. finalmente, uma versão remisturada de "Why not", feita para ser a primeira colocada nas rádios de teen pop ao redor do mundo - garato que não são poucas - encerra a compilação em grande estilo.

    cotação: 8/10 (e isso porque o rostinho lindo só contribuiu com meio ponto...)

    10 títulos de 2005, para o que dele resta

    ...And You Will Know Us By The Trail Of Dead - Worlds Apart
    Andrew Bird - The Mysterious Production Of Eggs
    Architecture in Helsinki - In Case We Die
    dEUS - Pocket Revolution
    Devendra Banhart - Crippled Crow
    Esbjörn Svensson Trio - Viaticum
    Iron and Wine - Woman King EP
    Konono Nr. 1 - Congotronics
    Sigur Rós - Takk
    Tom Zé - Estudando o Pagode

    Para quem estiver..

    ..interessado, o DN:Música de ontem apresentou textos de:

    - dEUS
    - Mesa
    - Secret Machines
    - James
    - The Beatles
    - Paul McCartney

    nota: ao novo trabalho do Paul, Chaos and Revolution, eles deram nota máxima..

    O João Martinho desafiou-me a deixar-vos um texto para fomentar a discussão em volta dos The Tears. O João Pires enviou-me um mail a pedir o mesmo, com uma pequena provocação, afirmando que eu era "stuck in Brett". A Cristina Fragoso também me enviou um mail, mas a afirmar que os The Tears eram a melhor banda de sempre. Bem...

    Não vou escrever um texto sobre o assunto, desculpem-me. Deixarei que o próximo disco do quinteto maravilha fale por si e convença os mais apáticos. Em Outubro, vou a Paris para ver os The Tears e de lá virei com energia suficiente para então escrever algo sobre esta matéria.

    De qualquer forma, gostava só de dizer uma ou duas coisas. Um dos trunfos dos Suede eram os b-sides, mas parece que tanto a imprensa como algumas pessoas se têm esquecido disso. E agora, perdoem-me o facciosismo mas para quem diz que...
    ...o Brett Anderson perdeu a voz: ouçam Southern Rain, tema ao qual emprestou muito charme, muita emoção e uma voz límpida.
    ...o Brett Anderson já não sabe escrever: The Ghost Of You ou Europe After The Rain deveriam pesar nessa consideração.
    ...o Bernard Butler já não consegue criar temas de enorme beleza: será que já pararam para ouvir Autograph, por exemplo, na sessão que fizeram para a BBC Radio 6?
    ...eles se venderam: Tenho pena que tenham falhado a audição de Because You're Worthless
    ...ao vivo, eles não são mais a mesma coisa (e esta é para o João, educadamente): peçam-me, que eu envio-lhes Song For The Migrant Worker ou Europe After The Rain ao vivo no Shepherd's Bush Empire

    Alguém achava que eu ia ser imparcial? ;) Discussão finalizada. Não vamos agora aborrecer os nossos leitores. Amanhã, a esta hora, voltem para ver as análises ao Faces Down (Sondre Lerche) e musicforthemorningafter (Pete Yorn).

    Sexta-feira, Setembro 09, 2005

    e hoje à noite vou a famalicão

    andrew bird ao vivo na casa das artes. :)

    e para gerar polémica...

    o álbum dos tears tem a pior produção da história. tenho pena. já tenho tentado esquecer isso. mas não dá. eu adoro suede - embora já tenha adorado mais -, vi-os duas vezes ao vivo; coleccionei bootlegs; imitei cada um dos membros da banda - especialmente o mat; por causa dele é que comecei a tocar baixo (mas toco mal).

    voltando ao que interessa... o disco dos tears tem ar de bom (e digo bom, apenas), mas a produção é das piores coisas que já ouvi. quem não sabe, não mexe. enquanto fã dos suede, fiquei muito desiludido com o regresso de uma das duplas que mais admirei no mundo da música. e as críticas aos concertos? nunca ouvi dizer mal dos concertos dos suede. isso tem sido recorrente no que concerne aos concertos dos tears... que me dizem, camaradas?

    eu quero morrer e ter um funeral assim


    Já muito se falou do Funeral, primeiro álbum dos The Arcade Fire, editado há quase um ano, no dia 14 de Setembro. Mas elogiar uma obra-prima é algo que nunca cai mal; ainda para mais neste caso. O álbum dos canadianos não figurou na minha lista dos melhores discos de 2004. Pouco o ouvi durante o ano passado. O facto é que com a chegada da Primavera, o disco saltou da prateleira para o leitor de cd’s, onde tem rodado em loop desde essa altura. E cada vez me convenço mais que este é o álbum do ano, apesar de chegar com um bocado de atraso. Foi o álbum da Primavera e do Verão. Vai ser o álbum do Outono e provavelmente do Inverno. É incrível. Nunca tinha sentido uma força tão fantástica. A força que nos faz bater os pés; a força que nos faz escrever enquanto dançamos; a força que nos puxa para o próprio álbum e nos entrega um papel na banda – nem que seja o de assobiador.
    Não sei se estou ansioso por ouvir um próximo disco deles. Para já, não. A magia deste ainda me embala. Pode parecer precipitado, mas é um dos álbuns da minha vida.

    Arcade Fire – Funeral 10/10

    Quarta-feira, Setembro 07, 2005

    A consagração…


    …de um dos músicos mais apaixonantes dos últimos anos. Antony Hegarty, mentor e frontman da banda Antony & the Johnsons esteve ontem presente na cerimónia de entrega do Mercury Music Prize para receber o prémio máximo da indústria discográfica britânica pelo disco “I am a bird now”.
    Não vou tecer qualquer tipo de comentários sobre o disco apenas vos deixo um conselho: ouçam-no! A música, as letras, a voz é algo de extasiante! Mas muito já foi dito sobre a música desta personagem verdadeiramente única e cuja excentricidade é tão característica.
    Vou apenas fazer dois pequenos comentários:
    1) por vezes, em contra-corrente da indústria discográfica e dos lobbies dos colossos dessa mesma indústria, faz-se justiça. Apesar de estarem em competição nomes poderosos como os Coldplay ou Kaiser Chiefs (cujas vendas de discos é n vezes superior aos discos vendidos por Antony & the Johnsons) a banda deste ser "estranho" que é o Antony teve todo o mérito em ganhar tão cobiçado prémio. É bom saber que por vezes a qualidade de um produto artistico é escolhido em detrimento dos $$$ de um produto que apesar de menor qualidade vende bastante mais. Para fazermos um parelelismo para a indústria nacional seria o mesmo que ganhassem os Dead Combo em vez dos D´Zrt (não querendo comparar os Coldplay aos D´Zrt pois os primeiros são incomparavelmente melhores que os segundos).
    2) por outro lado é engraçado verificar como a inveja ou de uma forma mais informal a chamada “dor de cotovelo” acontece a todos, em todas as áreas e a todos os níveis. Ao ler a notícia sobre a atribuição deste prémio no The Times (link: http://www.timesonline.co.uk/article/0,,2-1769107,00.html) pude constatar que grupos como os Kaiser Chiefs ficaram ligeiramente afectados pelo facto de terem perdido a corrida ao prémio para o qual estvam colocados como favoritos. Apesar de dizerem que o álbum do Antony era bom não deixaram de dizer que o antony não merecia ganhar porque não vivia em Inglaterra. Isto será admissivel a um grupo desta projecção? E se tivesse sido o Morrissey a ganhar? Por ele viver em L.A. já não tinha direito a receber? Enfim, era como eu dizia, o sentimento da inveja é algo que pode acontecer a todos nós mas pelo menos devemos tentar disfarçar o melhor possível.

    Apenas para relembrar que no dia 31 de Outubro teremos o Antony em concerto no Coliseu dos Recreios. Quem estiver interessado em ver deve apressar-se a adquirir o ingresso respectivo pois quando fui comprar o meu os bilhetes para a plateia já estavam no fim. E depois de ter visto o concerto memorável que ele deu na Casa das Artes em V.N. Famalicão em 30/05/05 jamais poderia perder a opurtunidade de repetir aquela experiência verdadeiramente etérea.

    Kasabian - "Kasabian"

    Os Kasabian nasceram mais propriamente em Leicester, Inglaterra e são fruto da arte de Tom Meighan (vocalista), Sergio Pizzorno (compositor, guitarrista), Chris Edwards (baixista) e Christopher Karloff (guitarrista). Eles editaram o seu primeiro trabalho em 2004 com o título “Kasabian”. Este disco é constituído por 13 faixas que mais cedo ou mais tarde nos conquistam. Passemos à sua análise.
    Club Foot, a primeira, faz parte daquele vasto leque de músicas que tem como responsabilidade marcar a imagem de arranque de um bom disco. É pesada, rápida, com um refrão apelativo. Seguimos com Processed Beats e é aqui que começamos a gostar do som dos Kasabian. Uma boa bateria, um excelente acompanhamento das guitarras, uma voz limpa de Tom e mais um refrão apelativo. Notamos que a banda tem de facto uma forte faceta de som electrónico que conjugado com os instrumentos musicais nos proporciona uma melodia agradável. Reason is Treason é a terceira e até agora nada mudou, continuamos num ritmo rápido e bastante animado. Confesso que não é das que mais me fascinou neste trabalho dos Kasabian, mas mesmo assim se tentarmos ignorar esta faixa e passar à seguinte, acabamos por sentir algum vazio.. é nestas alturas que verifico o grau de vício em que já estou. O som electrónico voltou e estamos agora em I.D.. Esta sim é para mim uma das melhores deste primeiro álbum dos ingleses, parece uma música madura, completa, com alguns efeitos de preenchimento a lembrar a versão ao vivo de “How Soon Is Know” (por exemplo no “Live at Earls Court”). I.D. parece-me música de filme, um daqueles feitos com um orçamento barato mas com uma poderosa história e mensagem. Com o fim de I.D., ouvimos agora o primeiro interlude do álbum com Orange. Preparação ou finalização feita começa LSF, ou se preferirem, Lost Souls Forever. É um single, na minha opinião bem escolhido. LSF caracteriza a faceta de rebeldia dos Kasabian, com versos bastante fortes, alguns dos quais algo parecidos com a imagem dos grandes “Pink Floyd”. Running Battle é a próxima. Uma das minhas preferidas sem dúvida. È das poucas canções que me proporciona uma visão, algo anedótica até, de artes marciais, não me perguntem porquê, a música tem destas coisas e é por isso que eu não vivo sem ela. Running Battle faz parte da minha playlist pessoal. Simplesmente adoro-a. Test Transmission vem a seguir e é daquelas que considero excelentes para “abanar o capacete” e sair por aí a cantarolar o refrão. É uma música leve e bastante engraçada já que o ritmo é marcado por um viciante jogo de palmas. A entrada de Pinch Roller, o segundo interlude do disco, é algo que me transporta até a um filme do género “2001: Space Oddissey” ou até às introduções de qualquer um “Star Wars”. De facto possui uma característica de encontros imediatos de terceiro grau. Pinch Roller prepara também Cutt Off. E prepara muito bem diga-se de passagem. Cutt Off é facilmente uma música que fica no ouvido, a rebeldia continua. Importa referir que outra das inúmeras qualidades que o som dos Kasabian apresenta é o brilhante sistema de backing vocals. Em Cutt Off temos um exemplo disso. Continuamos em grande mas desta vez com Butcher Blues, a entrada tem um cheirinho muito leve de influência gospel. Butcher Blues é excelente para analisarmos a qualidade da voz de Tom Meighan: madura, calma, sem exageros, pura. Conseguimos facilmente acompanhar a letra da música. Butcher Blues, tal como Running Battle, marca também presença na minha playlist. A penúltima de seu nome Ovary Stripe, tem tão de original como o seu nome. É apenas e só instrumental, muito ao estilo dos “Propeller Heads”, mas significativamente melhor. As únicas partes vocais penso serem excertos de discursos políticos, algo que também podemos encontrar, por exemplo, em “The Love Of Richard Nixon” dos Manics. Ovary Stripe transporta sem dúvida, assim como todo o álbum, uma forte marca rebelde e anti-sistema. O desfecho fica a cargo de U-Boat que na minha opinião vem estragar tudo o que foi construído anteriormente. Não é que seja um mau final para este álbum, mas não me parece que aqui Tom estivesse ao melhor nível. É pena que termine assim tão brilhante conjunto.
    O som dos Kasabian é bom e ao contrário das críticas que tenho vindo a ler sobre este primeiro trabalho, não considero o som demasiado pesado e rock a relembrar os frágeis insectos Guns and Roses ou os tristes Velvet Revolver. Acho que não tem mesmo nada a ver, já que com os Kasabian nós ouvimos música, boa música. Tenho pena de ter faltado ao Sudoeste..

    “We´re a wake up call to british music!” – Tom Meighan, Kasabian

    O melhor..
    - a leveza de todo o disco em termos instrumentais;
    - a pureza da voz de Tom Meighan;
    - a mistura electrónica.

    O pior..
    - Não fosse alguma desatenção em U-Boat e tudo seria perfeito.

    Classificação..
    - 8/10


    Manuel Oliveira

    * a minha próxima análise será a “Don´t Believe The Truth” dos Oasis.

    Terça-feira, Setembro 06, 2005


    Vou hoje dar inicio à minha colaboração neste blog inserindo de vez em quando e de quando em vez alguns comentários sobre algo que me interessa verdadeiramente: a música. Poderei igualmente fazer comentários em relação a outros temas mas o essencial será dedicado à musica nas suas diversas vertentes (concertos, discos, projectos artisticos, etc)
    Serão comentários com um cunho pessoal, isto é, por muito que queira ser independente e imparcial o mais natural é que isso não aconteça. Irei escrever segundo os meus gostos e trâmites pessoais e como resultado de todas as influências e sons que fui escutando ao longo dos anos. Assim sendo, provavelmente irá acontecer que por vezes os leitores dos ditos não estejam de acordo com as observações feitas mas em outras ocasiões estarão em sintonia.
    Ao falar em música faço-o de uma forma abrangente, ou seja, não crio barreiras aos sons que escuto, variando os géneros e estilos e como tal irei escrevendo sobre o som que me esteja a absorver no momento independentemente se estou a navegar em sons electrónicos, indie, rock, pop, etc, etc.

    E para dar início às hostilidades irei começar por escrever sobre um disco que já foi editado no ano passado mas que apenas recentemente tive acesso a ele e que eu tenho estado a rodá-lo incessantemente.

    O cd intitula-se “Now Here Is Nowhere” e é uma criação do trio oriundo de Dallas via New York chamado Secret Machines.

    Este trio é composto pelos irmãos Brandon (voz/baixo/teclas) e Ben Curtis (guitarra, voz) e o baterista Josh Garza e editaram o seu disco de estreia em 2002, o EP September 000. Após terem-se mudado para New York City, editaram o primeiro longa duração – Now Here is Nowhere - no ano passado.
    Em Now Here is Nowhere podemos encontrar diversas influências tais como bandas como os Pink Floyd ou Spiritualized, sendo uma excelente mistura de sons ambiente e atmosféricos com rock e alguns laivos de sons psicadélicos. Apesar de tudo, uma comparação com a era de 70 dos Pink floyd é limitadora. Para os comparar com contemporâneos talvez arriscasse mais em interpol e menos em The Killers.
    Os Secret machines possuem em quantidades idênticas o rock dos anos 70 e os sons indie dos anos 90. A bateria imperturbável de Garza em confronto com as explosões de guitarra de Brandon Curtis e os devaneios das teclas psico-rock de Ben Curtis produz música directa, evitando divagações de forma a obstruir a viagem. Simplificando poderíamos defini-los como indie-rock elaborado num contexto rock progressivo.
    A primeira coisa que me chamou a atenção na audição deste disco foi a secção ritmica: uma bateria contundente e forte e um baixo equilibrado introduz-nos através da faixa inicial do disco com toda a intensidade e com o ritmo de precisão quase militar tal como a banda estivesse no meio de uma batalha espacial inter-galáctica. Estes sons vindos do espaço não ficam por aqui estando igualmente presentes através de todas as sonoridades inseridas através dos sintetizadores.
    Poderei dizer que é um dos grandes discos do ano transacto simplesmente porque é diferente dos outros álbuns e não me parece possivel confundir o seu brilhantismo com outro qualquer. O objectivo de inserir a envolvência do pop melódico bem como a perfeição dos riffs de guitarra e secção ritmica violenta dentro do mesmo espaço é atingido com sucesso.
    Para aqueles que necessitam de texturas terrestres e extra-terrestres de forma equilibrada sugiro uma viagem até ao Nowhere e quase posso garantir que não regressam tão cedo.

    Tied to reviews #3


    People Move On de Bernard Butler
    Alguns mudam-se, é certo. E foi o que aconteceu com o guitarrista dos Suede, que em 1994 se decidiu por uma carreira a solo. Quando Woman I Know irrompe pelos headphones, o albúm promete fazer jus aos créditos do britânico. O disco continua, soando por vezes a alt country (ouça-se I’m Tired e You Light The Fire) e outras a rock pop puro (não resista aos encantos de I’m Not Alone e You Just Know). Mas a magia do disco está mesmo no que Bernie sabe fazer melhor: canções épicas. Se a primeira faixa o arrepia, When You Grow e Stay encher-lhe-ão a alma. Uma certa falta de identidade não lhe concede a eternidade.
    7/10



    Want Two de Rufus Wainwright
    Rufus está na moda. Ou melhor, deveria estar, se as pessoas certas estivessem no lugar certo. Na segunda parte de Want, o canadiano atinge o clímax da sua veia criativa. Ele deixa-nos três singles (pop como já não se ouvia faz muito tempo) perfeitos: The One I Love, Gay Messiah e Crumb By Crumb, ele faz-nos (re)lembrar Jeff Buckley em Agnus Dei e Memphis Skyline e, no meio deste turbilhão de emoções, ainda tem tempo para as valium-based This Love Affair e The Art Teacher. E não perca, por nada deste mundo, a colaboração de Anthony (aquele que canta com os Johnsons) na paródia que é Old Whore’s Diet.
    8/10



    Bee Hives dos Broken Social Scene
    Bee hives não é um disco fácil de se lidar com. Os temas têm títulos estranhos, são introspectivos, as vozes nem sempre lá estão e o ouvinte não sabe para onde viaja, por vezes. Disco de raridades, Bee hives nem sempre chega ao nível de Feel Good Lost ou You Forgot It In People. Não se pense, no entanto, que a música ambiente de Beehives não está bem conseguida. Lover’s Split, tema lindíssimo ao qual Feist empresta voz ou Backyards (interpretação a cargo de Emily Haines), miscelânea de instrumentos e voz, são 2 pérolas escondidas dos Broken Social Scene. Ainda assim, era de esperar melhor.
    6/10

    Pedro Barbosa

    Domingo, Setembro 04, 2005

    No more distance left to run?

    Parece que a Mondo Bizarre nos linkou. Isto obriga-nos a trabalhar mais e melhor :) E a partir da próxima semana o Drowners vai ter novo colaborador: Luís Lisboa.

    Quarta-feira, Agosto 31, 2005

    The boy done right this time

    Q. What is the first word (or phrase) that comes to mind when you think of Coldplay??
    A. Tesco.

    Richard, membro dos Belle And Sebastian, em resposta a um fã. Para quem não sabe, a Tesco é uma megastore, das maiores vendedoras de discos, em todo o mundo.

    Parece que vamos ter um membro novo no blog.

    Não. Não é mais um heterónimo.

    Bem, como fui elegantemente criticado por ser sostro em relação à contribuição para este blog, queria dizer que no próximo dia 6 vamos ter aqui uma ligeira análise ao primeiro dos Kasabian..
    até lá fiquem bem;)

    Segunda-feira, Agosto 29, 2005

    parabéns, drowners!

    aproveitando o puxão de orelhas do senhorio do tasco, decidi postar qualquer coisita para marcar a passagem do primeiro aniversário. provavelmente escreverei um texto em breve, mas como prenda, deixo vinte sugestões, presentes numa compilação que fiz há uns tempos. chama-se "happiness is a warm gun".


    artwork:

    (capa).......................(contracapa)

    clique nas imagens para ver em tamanho real

    Domingo, Agosto 28, 2005

    Não posso deixar-vos hoje o texto que ia escrever e por esse facto, peço desculpa.
    De qualquer forma, quero dizer que é um prazer ter um blog com estes 3 rapazes, que amam música e sabem do que falam. Se calhar, podiam trabalhar um pouco mais, mas isso é com eles...
    E obrigado ao Eduardo por falarmos tanto e tantas vezes e por as nossas conversas serem uma grande inspiração para os discos que vamos analisando.
    Já agora, se mais alguém estiver interessado em trabalhar connosco no blog, é só contactar-me pelo harvesterofhearts@hotmail.com
    Feliz Aniversário, Drowners!

    Sábado, Agosto 27, 2005

    Este blog faz amanhã um ano e para festejar o aniversário, um texto especial...

    Quinta-feira, Agosto 25, 2005

    Tied To Reviews #2

    If You’re Feeling Sinister 1996
    Com uma capa mais Smiths que as dos próprios The Smiths, If You’re Feeling Sinister é um daqueles álbuns de uma vida. São 10 temas polvilhados de ternura e fragilidade, resultando daqui uma pureza inenarrável. É como ouvir The Smiths, Simon And Garfunkel e Kings Of Convenience ao mesmo tempo, mas melhor. O pop adocicado de Seeing Other People e Judy And The Dream Of Horses não destoa perto do lamento de The Boy Done Wrong Again, um dos temas mais noir, dos compostos na década passada.
    8.5/10










    Tom Barman live with Guy Van Nueten 2003
    Tom Barman convidou Guy Van Nueten para um disco ao vivo, sem a chancela dos dEUS, a banda do belga. E bendita a hora, em que o fez! Barman, também realizador da extraordinária longa-metragem Por Onde O Vento Sopra, canta em francês, em inglês, assobia e faz covers de Joni Mitchell, Nick Drake e David Bowie, sem nunca deixar de soar tão encantadoramente decadente. Um disco extraordinário, que vale pelas versões de Memory Of A Free Festival, River Man e Le Poinçonneur Des Lilás mas também por temas como Serpentine e Nothing Really Ends, verdadeiras obras-primas dos dEUS
    9/10








    Runaway Found 2004
    Com Bernard Butler na produção, os The Veils poderiam ter deixado aqui um álbum de estreia quase perfeito. O disco está dividido em 2 metades, sendo a primeira bem mais dura que a última. Finn Andrews é uma daquelas estrelas rock que já não se vêem, com uma voz absolutamente fenomenal. Apesar das mais noise More Heat Than Light e The Wild Son, Runaway Found vale muitas audições devido às perfeitas Talk Down The Girl, The Leavers Dance e The Nowhere Man, apontamentos notáveis de arte.
    7/10




    Pedro Barbosa

    Quarta-feira, Agosto 24, 2005

    se liga, Pitchfork #2

    mais três resenhas de novidadinhas...

    Arcade Fire - "Brazil" - então os darlings actuais do jornalismo-Lúcio e de toda a classe indie decidiram fazer uma versão de "Aquarela do Brasil", aquela do Ary Barroso, o Noël Coward brasileiro (e espada). socaram no lado B de um sete polegadas e provavelmente vão tocá-la no concerto do final de oitubro, no Rio de Janeiro. tá. mas sabe o que que é? a versão ficou maneiríssima. o vocal, enterrado na mixagem. o xilofone, elegantérrimo. a levadinha, de primeira. nota 8,5 - e olha que minha mp3 tava cheia de falhas.

    Broken Social Scene - "Windsurfing nation" - primeira pergunta: é a Feist gemendo? se for, dez pontos para essa iniciativa louvável de colocar a minha musa a serviço da libido alheia. essa música, como 80% do que o BSS faz, é desconexa e me fez lembrar, sei lá por quê, de "How he wrote Elastica man", uma baderna que o Elastica gravou num EP de 99 com o Mark E. Smith cantando - tão boa que entrou no "The menace", um ano depois. vou atribuir duas notas a esta canção (???): se for a Feist gemendo, é 9,5 - se não for, é 8. e sim, ela faz a diferença.

    Art Brut - "Emily Kane" - essa aqui não é favorita do jornalismo-Lúcio, mas do jornalista-Lúcio. ele fala que o cantor desta banda é um Jarvis Cocker II (ou seria III, já que ele disse a mesma coisa do cara do Razorlight?). aos factos: o Lúcio é meu amigo, mas desde que ele veio com essa história de Strokes eu fico com os dois pés atrás quando o assunto é música. e o cara do Art Brut canta mal pra caralho (perdão pelo termo) e ouvir essa música é um martírio. cadê o stop do Windows Media Player? nota 0.

    ... e uma resenha de uma nascida-clássica...

    Röyksopp - "Follow my ruin" - sou péssimo para reconhecer vocalistas convidados. é o Erlend Oye, nessa música? Lisa? não sei. mas esse tema é tão bonito que eu queria pegar pra mim e tocar na minha futura banda, ou então no projeto paralelo do Marcio, cujo nome é o melhor nome de banda da história do Lago Sul. batidas concisas, baixo funky sem parecer Red Hot Chili Peppers, efeitos electrónicos e sussurros femininos, com aquele refrão dizendo "so much going on, and I cannot let go", simples e directo. nota 34.

    se liga, Pitchfork #1

    eis aqui análises de três faixas novas...

    Franz Ferdinand - "Do you want me to" - a música começa mal, evolui, evolui mais ainda, evolui fortemente... e termina muito mal. nota 6,5.

    Broadcast - "America's boy" - surpresa, o Broadcast ainda vive. surpresa, com um novo single que é um lixo. e com um disco de capa lixo. triste. nota 2.

    !!! - "Hello, is this thing on?" - essa o Dago indicou no blógue dele e eu baixei de lá mesmo, num link para terceiros. dancei tanto que deveria mandar uma mensagem para alguma produtora de jogos japonesa "sugerindo" a inclusão desse tema num próximo disco do "Dance dance revolution". nota 8.

    ... e uma de cinco anos atrás...

    Dandy Warhols - "Hells bells" - lembra de "Hells bells", a música mais fera do AC/DC? o Dandy Warhols fez uma couve dela vinte anos depois, e tudo que era gritaria e porrada mudou. o Courtney Taylor desacelerou violentamente a música e, apoiado num tripê violão-distorção-trompete, encheu-a de libido. isso aqui é tema para momentos íntimos, apesar da letra não combinar. e ela quase bate em sete minutos, ainda por cima. nota 10.

    Terça-feira, Agosto 23, 2005

    Tied To The 90's #1


    Good Feeling - 1997
    Do tempo em que os rapazes faziam rock. Este pertence ao grupo que ganha encanto com o passar dos anos. A mistura de temas mais pesados, como U16 Girls ou The Line Is Fine e outros mais pop como Good Feeling ou Happy ou ainda as heartbreaking songs como More Than Us ou Funny Thing, resulta num disco extraordinariamente divertido, ainda que um pouco confuso e superficial. Mas os Travis nunca foram uma banda para se venerar, antes para descontrair e sorrir com Fran Healy, Dunlop e companhia.









    I'm A Cowboy - 1994
    Poucos conhecem a obra de Luke Haines nos The Auteurs, uma das melhores bandas da era britpop. Now I’m A Cowboy é um hino à arte de fazer boa música. Não é difícil apaixonarmo-nos imediatamente por Chinese Bakery ou Lenny Valentino, embora o melhor do disco esteja em Brainchild, Underground Movies e The Upper Classes. Este último tema vale por todo o disco. Art-Rock recheado de melodia.












    This Is My Truth, Tell Me Yours - 1999
    Após a morte de Richey James, os Manics acharam que era o momento ideal para um disco mais leve, uma obra-prima com pedaços pop, laivos de angústia e uma estranha sensação de perda. A magia do disco está na mistura exemplar de canções de protesto, como o single If You Tolerate This e I’m Not Working, alguns dos temas mais emotivos da banda como Nobody Loved You ou The Everlasting e a sensacional Born A Girl a fazer chorar as pedras da calçada. Nota ainda para a escrita genial de Nicky Wire, em fim de década, a revelar-se em canções como My Little Empire.



    Pedro Barbosa

    Sexta-feira, Agosto 19, 2005

    Terei de dizer que..

    ..a melhor música ao vivo que ouvi até hoje foi The Headmaster Ritual do “Who Put The M in Manchester”.. considero-a simplesmente brilhante com uma força magnifica.
    Well, será também a única em que Moz a solo supera a versão dos saudosos Silvas? Sinceramente, e cá para nós que ninguém ouve, eu acho que sim.

    Já agora, qual é a vossa?

    Quarta-feira, Agosto 17, 2005

    I Predict A Riot
    Everyday I Love You Less And Less
    Oh My God

    The Drowners
    Metal Mickey
    Animal Nitrate

    cheira-me a comparação...

    Sexta-feira, Agosto 12, 2005

    Depois de muitos comprimidos, ajuda psicológica, depois psiquiátrica e, por fim, recorrendo a um martelo, não consegui ainda largar If You’re Feeling Sinister dos Belle And Sebastian. Para ser sincero, depois do albúm do homem-cão e daquele que queria (parte 2), que não me viciava tanto num LP.

    Quinta-feira, Agosto 11, 2005

    eh pá...

    também fiquei com vontade de fazer minha lista...

    Opening credits: silêncio, claro. não queremos acordar o protagonista antes da hora...
    Waking-up scene: Simon - Suede
    Average-day scene: Half a person - Smiths
    Best-friend scene: Big Sur - Thrills
    First-date scene: Something changed - Pulp
    Falling-in-love scene: The senator's daughter - Fountains of Wayne
    Love scene: The first taste - Fiona Apple
    Fight-with-friend scene: Andrea Doria - Legião Urbana
    Break-up scene: Before it all went wrong - Spain
    Get-back-together scene: Repetition - Information Society (lol)
    Fight-at-home scene: The fear - Pulp
    "Life's okay" scene: Math wiz - Luna
    Heartbreak scene: Broken heart - Spiritualized
    Mental-breakdown scene: Sunday morning - Velvet Underground
    Driving scene: Race for the prize - Flaming Lips
    Lesson-learning scene: Time has told me - Nick Drake
    Deep-thought scene: Some might say - Oasis
    Flashback scene: We've only just begun - Grant-Lee Buffalo
    Party scene: Gordon's gardenparty - Cardigans
    Happy dance scene: Tattva - Kula Shaker
    Regret scene: Black or blue - Suede
    Long-night-alone scene: My darling - Wilco
    Death scene: My death - Scott Walker
    Closing credits: Ladies and gentlemen we are floating in space - Spiritualized

    Domingo, Julho 10, 2005

    Vi isto no Fórum Sons e decidi fazer também a banda-sonora da minha vida:
    Opening credits: Oh What A World - Rufus Wainwright
    Waking-up scene: So Young - Suede
    Average-day scene: Rumba dos Inadaptados - Quinteto Tati
    Best-friend scene: At Dawn - My Morning Jacket
    First-date scene: She's Everywhere - Strangelove
    Falling-in-love scene: It's Only Love - The Beatles
    Love scene: The Same Deep Water As Me - I Am Kloot
    Fight-with-friend scene: Low-life - The Tears
    Break-up scene: Switching Off - Elbow
    Get-back-together scene: Nothing Really Ends - dEUS
    Fight-at-home scene: Nowhere Man - The Veils
    "Life's okay" scene: The Universal - Blur
    Heartbreak scene: Nobody Loved You - Manic Street Preachers
    Mental-breakdown scene: Commercial For Levi - Placebo
    Driving scene: Dog On Wheels - Belle And Sebastian
    Lesson-learning scene: Joyriders - Pulp
    Deep-thought scene: That Joke Isn't Funny Anymore - The Smiths
    Flashback scene: Slideshow - Travis
    Party scene: Common People - Pulp
    Happy dance scene: I'd Rather Dance With You - Kings Of Convenience
    Regret scene: Say Something - James
    Long-night-alone scene: Lilac Wine - Jeff Buckley
    Death scene: Take Your Carriage Clock And Shove It - Belle And Sebastian
    Closing credits: The Next Life - Suede

    Terça-feira, Junho 28, 2005

    Videoclips dos The Tears

    The Tears

    Encontram-se disponíveis na Internet, os vídeos dos singles “Refugees” e “Lovers” da banda de Brett Anderson e Bernard Butler.
    Para os visualizar siga os links em baixo e desfrute o máximo que puder!

    Refugees

    Lovers


    Manuel Oliveira

    Sábado, Junho 25, 2005

    Prometo, para depois do dia 6 de Julho, análises a Runaway Found (The Veils), Grace (Jeff Buckley), Riot On An Empty Street (Kings Of Convenience) e Cold Roses (Ryan Adams)... Até lá, não haverão novidades...

    Segunda-feira, Junho 13, 2005

    Eugénio de Andrade 1923 - 2005

    Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
    e o que nos ficou não chega
    para afastar o frio de quatro paredes.
    Gastámos tudo menos o silêncio.
    Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
    gastámos as mãos à força de as apertarmos,
    gastámos o relógio e as pedras das esquinas
    em esperas inúteis.

    Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
    Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
    era como se todas as coisas fossem minhas:
    quanto mais te dava mais tinha para te dar.
    Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
    E eu acreditava.
    Acreditava,
    porque ao teu lado
    todas as coisas eram possíveis.

    Mas isso era no tempo dos segredos,
    era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
    era no tempo em que os meus olhos
    eram realmente peixes verdes.
    Hoje são apenas os meus olhos.
    É pouco mas é verdade,
    uns olhos como todos os outros.

    Já gastámos as palavras.
    Quando agora digo: meu amor,
    já não se passa absolutamente nada.
    E no entanto, antes das palavras gastas,
    tenho a certeza
    de que todas as coisas estremeciam
    só de murmurar o teu nome
    no silêncio do meu coração.

    Não temos já nada para dar.
    Dentro de ti
    não há nada que me peça água.
    O passado é inútil como um trapo.
    E já te disse: as palavras estão gastas.

    Adeus.

    Sexta-feira, Junho 03, 2005

    Rufus Wainwright


    Há, em Rufus Wainwright, uma espécie de misticismo do (o)culto. Uma simbiose perfeita entre o charme decadente do artista e uma força épica, capaz de revolver céus e mares com uma simples nota de piano e uma oitava acima do normal.
    Impressionante como a carreira deste canadiano foi sempre tão consistente. Em Rufus Wainwright (o 1º albúm) já era perceptível que o rapaz se transformaria num génio assim que amadurecesse. Beauty Mark, Danny Boy ou Damned Ladies são exemplos perfeitos.
    Mas é em Poses que nos apercebemos que Rufus não é um músico comum. Nem tão pouco um génio comum. O ritmo, o tom de voz, os arranjos de cordas e piano, os vocais de suporte… tudo parece perfeito quando temos a oportunidade, sagacidade e gosto suficiente para deitarmos a mão a um dos seus álbuns. Quantos de nós nunca sentimos uma enorme vontade de juntar toda a espécie de sentimentos num trecho musical? Os quase 5 minutos de Cigarettes and Chocolate Milk proporcionam isso mesmo. Tem o ritmo alatinado que humilha a inércia, a força emocional que deita por terra a dança anterior e um final de gala. Mas se Poses ficasse por aí…
    Este é um cantautor de voz, de arranjos mas também de melodia. E o tema que deu o nome ao 2º álbum é paradigmático do que vos digo. Poses é, de certo, uma das melodias com mais suavidade que aquela écharpe de seda que a sua mãe tem guardada e que o próprio Rufus usa nos concertos. Se o tema Grey Gardens significasse uma palavra seria… sorriso. Vai viajar desde os frios glaciares da Islândia às mais belas palmeiras da Amazónia em poucos segundos. E vai visualizar aquela viagem de comboio que tanto adorou e o caminho de carro até ao Algarve nas férias que odiou mas que recorda com tanta saudade. Mas não estranhe se for Rebel Prince a música que mais vezes ouve no disco. É normal. Não existe nada mais delicioso que ouvir a alternância entre o francês e o inglês e Rufus dizer “but when I see him now... though he’s so far away”. Oú est mon maître, le Prince Rebel?
    Prolífico. Foi o melhor adjectivo encontrado no fim das sessões que originaram o último álbum do canadiano, dividido em duas partes: Want One e Want Two. Sim, tem umas quantas músicas que mudarão a sua vida. Em Go Or Go Ahead vai amaldiçoar-se por alguma vez ter sido arrogante quando se sentir pequeno, que nem uma formiga. Nem a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos possui tamanha magnificência. Comparações descabidas? Mas o que é Rufus Wainwright, senão esse homem que nos tira do sério? Mas a primeira parte de Want é introspectiva, dura e com uma componente emocional muito forte, embora não agaste. Conhecendo as razões por detrás de Dinner At Eight ou (re)conhecendo em cada um de nós a letra de Want (o tema homónimo do disco), é demasiado fácil derramar umas quantas lágrimas. Ainda na primeira parte, referência para a malícia de Harvester Of Hearts e para a nobre Beautiful Child.
    Neste momento, é a segunda parte de Want que vai entretendo os que gostam de Rufus e das suas operetas pop. E este é, sem qualquer tipo de exagero, um dos melhores LP de sempre. Little Sister é doce, The One You Love extremamente audível e Old Whore’s Diet uma autência farra mas nada se subrepõe a This Love Affair e o seu lado negro de rua parisiense. A perfeição chama-se The Art Teacher e Memphis Skyline e a preferência vai para Gay Messiah.
    Rufus Wainwright é o deus da criação musical. Reencarnação de ancestrais génios de superfície rugosa. Simbiose perfeita das almas puras e devastadas.

    Sexta-feira, Maio 27, 2005

    Morrissey Live At Earls Court

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    Após o lançamento de You Are The Quarry em 2004, eis que chega até nós o Morrissey Live at Earls Court. Este concerto ao vivo reúne algumas das recentes músicas de Moz e outras que lembram o tempo dos saudosos The Smiths e mesmo o início da carreira a solo do seu vocalista.
    Live at Earls Court é um regresso em grande do único senhor da música. Moz tem quase cinquenta anos mas continua com tanta força como um miúdo de dez anos.
    How Soon Is Now é a primeira e não poderia ter sido melhor escolhida. É uma das grandes marcas dos The Smiths e Moz não os quer fazer esquecer. How Soon Is Now é inconfundível, envolve de imediato todos os fãs da antiga banda de Manchester e anuncia-nos um grande concerto. Seguimos em grande estilo com The First Of The Gang To Die. Esta faz parte do último álbum a solo de Moz e será talvez o melhor registo que encontramos lá. Quando damos por ela estamos a cantar ao som desta enérgica música, é viciante. À terceira o ritmo abranda, mas a qualidade aumenta. Estamos agora a ouvir November Spowned a Monster e notamos claramente que Moz está fortemente determinado em introduzir novos registos de voz para marcar a diferença. Avançamos para Don´t Make Fun Of Daddy´s Voice e, confesso, para a minha música do momento. O acompanhamento instrumental é francamente bom e aquele aqueles últimos versos são contagiantes. Bigmouth Strikes Again beneficia da melhor interpretação de Morrissey neste concerto. É rápida, satírica (como todas sem excepção), simples mas significativa. No final desta, surge a primeira piada para a plateia: “Yes, the past is a strange place!”. Voltamos ao presente e inevitavelmente temos mais um registo do último álbum. I Like You foi escolhida para figurar e, sinceramente, é daquelas que apelidamos de “bonitinha”, mas não passa disso. Terá sido uma má escolha mas que sai ainda mais prejudicada com a interpretação posterior de Redondo Beach. Esta é nada de especial, é uma forma de descansar por momentos a voz. Chega até a ser irritante e por isso mudamos de faixa. Felizmente, encontramos Let Me Kiss You. Uma das mais bonitas músicas que Moz já gravou. Tudo bem que a letra não seja nada de especial, mas no seu todo é uma boa música que nos tranquiliza. Continuamos agora com Subway Train/Munich Air Disaster que nos conquista de imediato pela sua qualidade e pela interpretação de Moz. There Is a Light That Never Goes Out e The More You Ignore Me são duas maravilhas que nos lembram outros tempos. E como ou é isto ou a prisão, Moz concede-nos uma das mais bonitas músicas que tenho o prazer de conhecer: Friday Morning. Esta é simplesmente magnifica e não queremos que ela acabe. Como será de prever, reparamos num forte agradecimento do público. Sim, nós sabemos que o sentimento não é mútuo mas ele perdoou Jesus. I Have Forgiven Jesus é única, brilhante e marcante, isto apesar de a Igreja a apelidar de pronuncio herege. Um forte cariz emocional está à volta dela sem dúvida. The World Is Full Of Crashing Bores é extremamente elegante e imediatamente faz com que gostemos dela. Sempre encontrei nela um bom exemplo de Yin e Yang: a música é perfeita, a letra é péssima. Estamos agora com Shoplifters Of The World Unite e estamos bem, mas o mais engraçado é a última frase de Moz terminada a música. Ouvimos agora o inicio do single de YATQ e por isso as muitas palmas. Um momento de alegria chegou para aqueles que só conhecem as mais comerciais. Irish Blood, English Heart parece uma música de James Bond e por isso não faço mais comentários. A última é You Know I Couldn´t Last e por isso é mais elaborada, está significativamente melhor que a versão original o que é muito bom.
    Confesso que tive conhecimento deste trabalho de Morrisey quando li um pequeníssimo artigo no anexo DNA do diário DN. O jornalista que tratou de anunciar esta nova, classifica o concerto como um razoável registo ao vivo de Moz e sendo assim cola uma classificação de três valores em possíveis cinco. Só pode ser daqueles jornalistas que conta uma história mas não conhece todo o processo passado por trás dela. Morrissey está vivo e com plena saúde em termos vocais. Ele continua a liderar o que de melhor a música tem para nos oferecer, ele é único, ele é rei, presidente e imperador.
    Meus amigos, Deus existe mesmo e o seu nome é Steven Patrick Morrissey. Já o dizia a autora
    deste blog..

    Melhor
    Tudo
      Pior
      Nada, apesar de se verificar pouco diálogo com o público.
        Classificação
        10,1/10 (juro que é verdade e assim também dá para chatear alguns jornalistas..)
        Manuel Oliveira

        Domingo, Maio 15, 2005

        Será que..

        ..podemos apelidar o vocalista dos GNR de Jarvis Cocker português? o_O
        Possivelmente esta é a pergunta mais idiota do ano, mas é preciso ver que hoje é domingo.. tentem pelo menos comentar, lol

        Terça-feira, Maio 10, 2005

        O The Sound Of The Streets vai deixar-vos um tema todas as sextas-feiras
        . O de hoje é uma cover dos Radiohead. Para a próxima terça, o original dos EG, Misty...

        Eleven Gash - Creep

        Segunda-feira, Maio 09, 2005

        MESA - Queima do Porto 2005

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          Há já algum tempo que desejava ver os MESA a actuar ao vivo. Entre planos de assistir na FNAC ao mini-concerto acústico e fazer 300 quilómetros até Lisboa ao Pavilhão Atlântico, decidi aguardar que o divino Espírito Santo os trouxesse à Invicta e que eu, por simples mero acaso, estivesse lá para cantarolar ao lado dos outros presumíveis fãs. Foi o que aconteceu nesta Queima das Fitas 2005 no Porto, mais propriamente no recinto da antiga Feira Popular. Aliás, gostava de registar que os MESA eram a melhor opção do cartaz da queima portuense deste ano, isto se considerarmos que nem todo o mortal glorifica e deseja ansiosamente a música alternativa de Quim Barreiros ou os dramas toyescos da irreverente cantora Ágata.
          A abertura das portas do recinto estava marcada para as 22h, abriram às 22h45.. Entrar e não entrar, passear por algumas barraquinhas atoladas de colunas que debitavam música house ao nível do melhor adolescente português dos mais concorridos bairros do porto, posicionar-me num bom sitio que não estivesse com pequenos montes de restos de garrafas partidas ou de copos de café para assistir ao concerto, eram já 11h30 da noite. Antes de prosseguir, queria registar aqui a excelente organização, como se pode ver alias, por parte da FAP.
          Surpreendido positivamente pela quantidade de pessoas que se juntaram para assistir ao concerto do grupo lusitano (existe a hipótese de o efeito do álcool já estar a fazer efeito e assim eu ver a dobrar, ou mesmo a triplicar..mas quero pensar que não..estava mesmo muita gente!), foi com já algumas dores nas pernas e frio cortante no pescoço que aguentei pela entrada algo original por parte do baterista João Pedro Coimbra e do guitarrista Bruno Macedo. Um jogo de luz e cor contribuiu decisivamente para o início do melhor concerto a que tive o prazer de assistir até hoje. Após o aquecimento, foi a entrada em cena da vocalista Mónica Ferraz. Durante todo o espectáculo, a voz de Mónica foi algo que me deixou desiludido, não pela qualidade desta evidentemente, mas sim pela má gestão por parte dos responsáveis do som. A voz da vocalista esteve praticamente abafada pela guitarra e pela bateria na maior parte do reportório escolhido pela banda. Reportório esse que contou com duas novas melodias a incluir no novo álbum do grupo a editar ainda este ano. A mistura electrónica foi presença assídua durante todo o concerto. Pela minha parte, estava à espera da minha música preferida: Esquecimento. Fugindo a interpretações suspeitas, foi de longe o ponto alto da noite. O ritmo da canção é fantástico e a voz de Mónica Ferraz estava mais livre e atrevida. Foi realmente muito boa a interpretação de Esquecimento. Considero a sua letra como uma das mais atractivas do álbum.
          Naturalmente, a música que todos estavam à espera chegou. O primeiro single da banda, Luz Vaga, foi, no mínimo, interessante. Alguma mistura electrónica nova e uma maior liberdade concedida à guitarra de Bruno Macedo fizeram do explicais da banda a mais aplaudida da noite. Tal foi o agrado do público que exigiu um bis de Luz Vaga, que os MESA guardaram um espaço no fim da actuação para um repetição do single. Senti claramente a ausência da voz característica de Reininho ao lado de Mónica Ferraz. Isto porque prefiro a versão de Luz Vaga com o nortenho.
          Importa referir a actuação de Sonho Cibernético e Mímica Sísmica como músicas atraentes a ouvidos desatentos.
          Diria que a actuação dos MESA nesta queima das fitas fez jus à opinião que tenho deles: uma das melhores bandas portuguesas dos últimos tempos. No entanto, e apesar do enorme prazer que tive em ouvir a banda, ficou-me a sensação que eles ainda precisam de alguma maturação nestas andanças.. note-se, a banda e os “estudantes”..



          O melhor..
          A energia e talento do baterista português João Pedro Coimbra que se revelou uma verdadeira surpresa durante todo o espectáculo;
          A interpretação de Esquecimento;
          Todo o ambiente desatento em volta do espectáculo;
          Jogo de luzes do palco ao longo de todo o concerto;
          A dança peculiar do baixista Sérgio Marques..lolol

          O pior..
          A falta de competência dos técnicos responsáveis pelo som;
          Alguma falta de sensibilidade por parte da banda para escolher o alinhamento das músicas, por exemplo, a escolha de Divagadora para a abertura foi algo infeliz..

          Classificação..
          7/10

          Manuel Oliveira

          Sábado, Maio 07, 2005

          Sabia que...

          ...se num qualquer motor de busca se enganar e escrever Beatels em vez de Beatles, terá mais resultados do que escrevendo o nome de metade das bandas do mundo?

          Quinta-feira, Maio 05, 2005

          Songs to make you happy on a Saturday night...

          Sábado está a chegar e se não vai até um bar ter com os amigos, passe a noite na companhia destes temas:

          Jumble Sale Mums – Retirada do 2º disco da compilação Sci-Fi dos Suede, este tema é um dos mais aprazíveis da banda. Como foi relegado para b-side, o tema não sofre de más influências na produção ou composição. É uma canção livre, digamos assim. Fluirá nos seus ouvidos e o gozo de a ouvir estender-se-á a todo o seu corpo. Não espere dançar, esvair-se em lágrimas ou gritar de excitação. Este é um dos temas mais simples que já tive o prazer de ouvir e aí reside a sua beleza e sensualidade. Quando perceber isto, esta canção fá-lo-á feliz num desses sábados de descanso, onde nada nem ninguém o preocupam…

          The Sadness – Isole os últimos dois minutos deste tema de Ryan Adams e descubra a canção mais triste de sempre…

          This Love Affair – O mundo não é justo e nada podemos fazer para que se o torne, entretanto. No entanto, não poderá ser posta de parte a ideia da criação de um grupo de deslocados chorões… Rufus Wainwright parece ter dado o mote com a criação deste tema em tudo semelhante aos clássicos de Edith Piaf e Jacques Brel.

          Laid – Os James conquistaram o mundo com uma canção apenas. Laid é uma das canções mais britânicas desde que o país deixou que os EUA fossem livres. Tim Booth estava realmente inspirado aquando da criação desta fast-song, que é excelente para abanarmos o corpo e exorcizarmos o stress. Vai ver que os 2 minutos e 38 segundos do tema esfumar-se-ão num ápice…

          Golden Touch – Este single dos Razorlight tem a sonoridade característica da nova vaga de bandas britânicas e americanas como os The Killers, os The Bravery ou mesmo os The Others. Não se surpreenda se der por si a cantarolar este refrão no elevador, na paragem de autocarro ou mesmo no posto de trabalho…

          Don’t Go Away – Os Oasis são uma m*rda? Nem tocam nos calcanhares dos fab four? Bem, muito embora Liam e Noel não se consigam parecer muito com McCartney e Lennon, este tema é uma das pérolas perdidas na obra pós-Definitely Maybe.

          Feel Good Inc. – É natural que já tenha ouvido a nova canção dos Gorillaz. Damon Albarn continua a ser o maior pulha no meio musical e os seus projectos podem ser agradáveis apenas a jovens estupidificados pelas últimas férias em Ibiza mas esta safa-se. Ok, ok, a canção até é boa.

          Sábado, Abril 30, 2005

          Placebo - Brasília, 23 de abril de 2005


          sábado passado os Placebo deram um concerto em Brasília, como parte de sua digressão sul-americana, que os trouxe ao Brasil pela primeira vez, para oito datas em oito cidades. a tour foi patrocinada por uma operadora de telemóveis e tinha a intenção de revelar novas bandas, que abriram cada concerto dos Placebo.

          infelizmente, o indie rock brasileiro é uma merda e, salvo raríssimas excessões, não merece ser comentado neste espaço. de posse dessas informações, saibam que cheguei tarde ao concerto, para ver apenas os Placebo - no opening acts, please. vesti meu fato, coloquei uma gravata azul-acinzentada e estive na Concha Acústica, às margens do Lago Paranoá, para um pouco de rock and roll.

          os Placebo entraram à meia-noite e dez do dia 24, abrindo os trabalhos com "Taste in men", como fazem tradicionalmente deste a digressão do disco "Black market music", de 2000. gosto muito do tema, que é tocado ao vivo sem grandes alterações. no palco, o trio, composto pelo americano nascido na Bélgica Brian Molko (vocal, guitarra), pelo sueco Stefan Olsdal (contrabaixo) e pelo inglês Steve Hewitt (bateria) ganha o reforço de outro guitarrista e de um tecladista, que ficam em posição periférica e não podem dar-se ao luxo de aparecer muito.

          com isso, o som pode ser reproduzido com maior fidelidade em relação as gravações de estúdio, embora isso nem sempre aconteça. depois de uma "Taste in men" fiel à gravação, eles emendaram "The bitter end", num andamento surpreendentemente mais rápido do que o do disco "Sleeping with ghosts", lançado em 2003. e decidiram queimar seu maior sucesso no Brasil, "Every you every me", logo depois. nesse momento, o público cantou e vibrou como vi poucas vezes na vida.

          os Placebo costumam apresentar-se ao vivo com repertórios atípicos: incluem faixas obscuras de seus compactos, covers, versões acústicas de grandes sucessos, coisas assim. para a digressão sul-americana, no entanto, decidiram tocar seu greatest hits, como forma de compensar os dez anos pelos quais o público da região esperou. e então passaram a tocar os singles de seu último disco, que eu particularmente acho bem fraquinho. e o público foi brindado com "English summer rain", "Protege me from what I want", "This picture" e "Special needs", tocadas quase em sequência.

          às vezes, a banda intercalava temas do disco anterior, como "Black-eyed", e os dois temas inéditos da coletânea "Once more with feeling", mas deixava de lado as grandes canções de seu início de carreira. até que, com cerca de quarenta minutos de concerto, o então calado Brian Molko foi ao vocal e disse que "the good things come for those about to wait".

          fiquei a pensar naquilo. na minha actual situação, é uma frase que me ajudou bastante, a pensar melhor no que faço e no que quero para a minha vida, no modo de me relacionar com as pessoas e na angústia excessiva que pareço carregar às vezes. e Molko introduziu em sua guitarra os acordes de "Without you I'm nothing", faixa-título do melhor disco dos Placebo, lançado em 1998 e obrigatório em qualquer colecção de CDs.

          mais para o final, tocaram uma versão pesadíssima de "Special K", meu tema preferido da banda, além de "Pure morning", "Slave to the wage", "Nancy boy", uma versão ao piano de "Teenage angst" e uma versão beeeeeem lenta para "36 degrees", um de seus primeiros sucessos. a comunicação com o público restringiu-se a alguns agradecimentos pelos aplausos... e o concerto encerrou-se com cerca de noventa minutos.

          *

          já tinha visto os Placebo quatro anos atrás, no festival V2001, em Chelmsfordshire, Inglaterra. naquela oportunidade, fizeram uma apresentação praticamente irrepreensível. nesta, perderam alguns pontos por incluir muitos temas de seu disco fraco, e por não tocarem "You don't care about us" e "Allergic (to thoughts of mother earth)". mesmo assim, valeu os 30 reais (cerca de 9 euros) que paguei para assistir ao concerto.

          *

          avaliação: 7/10

          Quinta-feira, Abril 28, 2005

          Here Come The Tears - The Tears

          Nas mais de 50 críticas que fiz, nunca tive de me esforçar tanto para ser imparcial como na deste disco. Os Suede sempre foram a banda da minha vida e era um elevado grau de excitação e esperança que tomava conta de mim à medida que os dias iam passando, após nova reunião Brett/Butler. Para quem não sabe, Brett Anderson e Bernard Butler formaram a dupla criativa por detrás da banda Suede, ícone da britpop nos mid-90’s. E eles estão de volta, prestes a recuperar a coroa…
          Mais de 11 anos passaram sobre a última nota de música tocada pelo duo. E agora, numa nova banda com o nome de The Tears, eles voltarão a surpreender o mundo…
          Refugees é o primeiro single e também a música de abertura do disco. Podemos ouvir Brett Anderson murmurar algo aquando da entrada triunfal da guitarra de Butler e de uma deliciosa bateria que vai marcando o passo. A sonoridade Motown que envolve esta música é mais que evidente, a produção do próprio Butler parece assentar que nem uma luva e o tema é, de facto, a melhor escolha para single. Autograph é, muito provavelmente, o melhor tema da década e com belíssimas hipóteses de tomar a There Is A Light That Never Goes Out (The Smiths) o lugar de melhor música pop de sempre. A influência de Marr é evidente e a mistura de instrumentos e sonoridades parece estar milimetricamente adequada. É um tema viciante, rápido mas não sem destino e com direito a crítica própria num destes dias. O auge, que versa “and it’s all just complication, but too complex to ever last” é isso mesmo, demasiado complexo, demasiado forte mesmo…
          Co-Star não tem muito que se lhe diga. Não sobressai muito, mas é um tema consistente, agradável ao ouvido. Se analisarmos a letra numa perspectiva de reaproximação do duo, a canção chega até a ser muito especial. “Quando estamos juntos, o mundo sorri”. Imperfections surpreendeu pela positiva a quem já conhecia o tema das inúmeras bootlegs que já por aí andam. Num instante passou de composição menor a algo rocky e bastante aprazível.
          The Ghost Of You é uma canção de natureza triste: versa sobre a morte, eclode com duas guitarras diferentes e uma mistura de belíssima de piano e algo que mais parece um pequeno xilofone. Uns quantos gritos, desesperados e angustiantes, nos vocais e a música é um autêntico turbilhão de emoções. Two Creatures é soberba, magnífica, estonteante… sem palavras. Absolutamente viciante, com uma melodia que mais apetece agradecer aos deuses e uma produção majestosa, com violinos e back vocals lindíssimos… É um tema que clama por grandes salas, por estádios, por festivais repletos a entoar a uma só voz este hino épico.
          Lovers é a excitação em forma de som. É o mais perfeito dos anti-depressivos sonoros disponível no mercado (ainda não, mas falta pouco…). Feita para por essa falange de apoio situada na casa dos 30 a saltar e a cantar. É por composições destas que percebemos que o nível do duo não decresceu em qualidade. Fallen Idol não é, dada a excelência, dedicada a algum dos 5 elementos da banda. É um tema formidável. A sua componente instrumental e criativa ultrapassa os limites da perfeição. Um assobio e um ambiente espacial (?) tornam este tema um dos mais doces e encantadores do ano.
          Brave New Century é o mais pesado dos temas do LP. Um tanto ou quanto experimental, diferente de todo o albúm, mas nem por isso mais fraco. De facto, pode até vir a ser um enorme sucesso nas rádios… Beautiful Pain não é um desses temas imediatos. Precisa de uma longa fase de maturação junto dos leitores de cd’s por esse mundo fora. Passada essa fase, pode muito bem apreciar o rock muito punch-in-the-face desta canção. Não se teria perdido muito com maior arrojo ainda.
          E pronto, já sabemos que existe sempre algo a esperar dos últimos 3 temas dos discos de Bernard Butler. Desta vez, não se foge à tradição e The Asylum enceta a última fase do disco: a épica! The Asylum poderia muito bem ser um tema dos Whiskeytown ou de Tom Waits não fosse a voz única de Brett Anderson e a guitarra, não menos singular, de Butler. Com uma letra que entra directamente para a lista das melhores do homem de Nothing Hill, não são também de descurar os inúmeros sons que envolvem o tema num clima de mistério e magia. Asphalt 13, perdão, Apollo World (irra!), Apollo 13 é o maior tema do disco e o mais aguardado também. Tem a palavra “épico” e “majestade” escrita em casa segundo. Cresce, como esses bons temas de 1994 e rebenta num refrão final que sobrepõe 2 vocais do próprio Brett Anderson num efeito extraordinário que nos deixa sem respiração.
          A Love As Strong As Death é um emotivo tema de piano, que reúne em si as melhores qualidades composicionais de Butler e Will Foster e o melhor dos vocais por parte de Anderson. É arrepiante como uma canção se consegue colar tanto na nossa memória e, aquando da sua audição, nos levantar tanto do chão e nos fazer sonhar com esses contos de fada onde os dois heróis acabam juntos. Era uma vez… um duo musical que assaltou o trono e conseguiu, pela segunda vez na sua existência, formar a melhor banda do mundo.
          Os The Tears estão aí para o melhor albúm do ano, a sair a 6 de Junho. É provável que o impacto do mesmo não seja muito e que a sua magnitude não seja a merecida. Mas é uma questão de tempo. Também quiseram fuzilar Galileu por afirmar que a terra girava…

          O melhor:
          - Autograph é, provavelmente, a melhor música pop de todos os tempos.
          - Não agradará apenas aos fãs de Suede ou da carreira a solo de Bernard.
          - O disco funciona como um todo.
          - Excelentes composições, perfeição na guitarra, excitação na bateria e acutilância no baixo.
          - Brett Anderson voltou aos grandes tempos nos vocais e nas letras.
          - Majestoso sentido melódico
          - ...albúm do ano

          O pior:
          - The Asylum e Love As Strong As Death mereciam melhores roupagens.
          9/10

          Domingo, Abril 17, 2005

          Eu estarei dia 25 de Abril no Coliseu do Porto a assistir ao concerto de Rufus Wainwright e dia 25 de Maio em Lisboa, para assistir ao concerto dos Duran Duran. E a este segundo, confesso ter sido obrigado a ir...

          Bem, de qualquer forma, se alguém se quiser encontrar no fim do primeiro ou "catch a ride" para o segundo, estou à disposição.

          Domingo, Abril 10, 2005

          C'mon, spell "S.a.d.n.e.s.s."



          No final deste mês (não sendo certo se a 18 ou 25) os The Tears lançarão o seu primeiro single: Refugees foi a música eleita para passar nas rádios. Dois discos e um vinil são os formatos a abranger pelo tema já referido e por mais três b-sides. Em suma, uma rádio-song e três pérolas que analisarei de seguida.

          Refugees: Sempre a abrir, a produção deste tema está melhor do que o que se possa pensar à primeira audição. Uma bateria dá o mote e logo a Gibson de Butler nos devolve os anos perdidos… Brett Anderson continua com a mania de nos fazer ecoar refrães na cabeça e de berrar algo no início dos temas, sem que nunca ninguém entenda o que diz. Ao que parece, o tema apela aos refugiados deixados de lado pela sociedade. É, Brett Anderson escolheu este tema para primeiro single com intenções políticas: a inclinação é para o Labour Party e o símbolo da extinta Britpop não se cansa de o dizer. Conversas à parte, Refugees é, claramente, um bom assalto às estações de rádio e televisão mundiais. E não, os Manic Street Preachers são outra banda…

          Southern Rain: Provavelmente, a melhor cerveja do mundo. Perdão, balada. Mesmo depois de analisar este b-side de forma imparcial, continuo a achar que é das melhores coisas que Bernard Butler já compôs e Brett Anderson já escreveu. A voz de Anderson não tem – não como em outros tempos – o poder de metamorfose e de rotação mas parece agora ter ganho um charme notável. E Butler (apesar de ser Will Foster o eleito para o piano neste tema) conseguiu mais uma vez um tema épico para o seu já vasto reportório. É um tema melancólico, que não apela a relações pessoais e, insisto, merecedor de uma inclusão nos melhores de 2005.
          É com muita ansiedade que espero que seja tocado em Glastonbury, o palco perfeito. Arrepiante.

          Feels Like Monday: ou então, Killing Of A Flashboy 2005. Acredite em mim quando digo que Bernard Butler conseguiu melhorar o seu desempenho na guitarra desde os tempos daquela banda de nome proibido nesta crítica e das suas colaborações com McAlmont. É excitante a audição desta canção e, verdade seja dita, não haverá nunca sentimento de injustiça por não fazer parte do alinhamento do albúm. É um tema bom, mas nada que nos levante os pés do chão.

          Branded: Uma enorme surpresa. Não encontro, em nenhum dos trabalhos anteriores do dueto, paralelo com este tema. São cinco minutos de muito mistério, tristeza e suavidade… Uma guitarra acústica, um piano e um elegante xilofone vão confundindo a nossa cabeça ao se juntarem a uma angustiante voz. O verso “the words on her clothes spell out sadness” promete fazer história. Dramática e brilhante.

          Break Away: Para que o barulho de Refugees não nos incomode os ouvidos, a banda deixou os temas de piano para b-sides do primeiro single. E Break Away chega a lembrar Romeu e Julieta pela tragédia e amor tão intensos. Ao bom estilo de Mr. Butler, é envolvida num ambiente cinematográfico que adensa uma atmosfera carregada de difusos sons como se de uma tempestade se tratasse. E existe algo de angelical a rodear o tema. Uma espécie de misticismo cinzento, melodramatismo puro…

          Terça-feira, Março 01, 2005

          Pink Floyd - Dark Side Of The Moon



          Estava no outro dia a arrumar uma alarmante confusão no meu quarto quando de repente fiquei nas mãos com um CD que já não via há algum tempo. Fiquei feliz e desejoso de ouvir aquela obra de arte por mim injustamente esquecida no meio do pó. Não perdi mais tempo. Continuei a arrumar, mas agora ao som da elegância de Dark Side of The Moon!
          Começamos com Speak to Me/Breathe que, com um inicio algo invulgar, liberta tudo o que há de mais oprimido em termos de lutas sociais.
          Continuamos com On The Run, nesta somos transportados para uma quase realidade paralela, um mundo de abstracção que parece estar mesmo ao nosso lado.
          Time começa com uma perfeita barulheira de relógios a darem horas, muito apropriado aliás. Agora que Richard Wright nos despertou para a música com a sua bateria, cabe a Roger Waters continuar com a magia de todo este processo. Waters com uma voz fantástica, semi-rouca, a acompanhar lindamente a guitarra de David Gilmour faz com que Time seja uma das músicas mais bonitas e significativas dos Pink Floyd ao nível da letra. Por esta altura, Time trouxe uma perfeita harmonia e equilíbrio entre os 15 minutos que já temos de música.
          Após um desfecho muito tranquilo e sereno de Time, segue-se The Great Gig In The Sky. Esta transborda de toda a classe de Richard Wright ao liderar o piano, a conduzir a vós de fundo, a fazer com que esta acompanhe o ritmo das teclas nos mais tristes e alegres momentos.
          É agora a vez de Money. Será talvez a música mais conhecida do álbum. A ideia do inicio é algo semelhante em relação à de Time, quem conhece o álbum sabe ao que me refiro. Money não deixa de ter um ritmo agradável e uma letra interessante embora eu considere que esta música seja o ponto fraco do disco. Dizemos adeus a Money e a uma conversa animada para começarmos com uma espécie de música religiosa, linda, com um som introdutório de saxofone muito bonito.
          Sim, chegamos a Us and Them! Nada aqui poderia ser mais perfeito e deliciosamente provocante: "haven´t you heard it´s a battle of words! (…) With, without and who´ll deny it´s what the fighting´s all about.". Este pedaço acaba com um espectáculo ao som da melhor guitarra de David Gilmour, a Any Colour You Like é só dele!
          Ainda não tivemos tempo para recordar Us and Them e já estamos em Brain Damage! Um coro muito bonito, com toda a sua força! A letra é também muito apelativa.
          Com risos pelo meio e despedidas de baterias, guitarras, saxofones e tudo o resto, chegamos ao que, para mim, é mais significativo! Estamos em Eclipse! É a última! É a mais bonita! A mais rápida! A mais marcante! A mais conselheira! Aquela que pede, ou melhor, exige que se ouça tudo de novo vezes e vezes sem conta porque aquilo que é simplesmente belo, digno de um mestre renascentista deve ser recordado para sempre. Por todos aqueles que amam a música!
          Por favor ouça Dark Side Of The Moon! Ele precisa de carinho e estima! Não faça como eu, não cometa o mesmo erro! Dark Side Of The Moon é, sem dúvida, um dos mais perfeitos discos de sempre! Senão mesmo o mais perfeito..
          ..
          All that is now
          All that is gone
          All that’s to come
          And everything under the sun is in tune
          But the sun is eclipsed by the moon.

          Sábado, Fevereiro 19, 2005

          The Tears no Razzmatazz em Barcelona a 18/12/04


          Eles são os melhores músicos ainda em actividade. Eles são o par mais excitante em Inglaterra, ultrapassando Carlos e Camilla. Eles não vivem um sem outro. E o mundo não vive sem eles. Eles são Brett Anderson e Bernard Butler. Eles são os The Tears…
          Ainda Brett e Bernard não apareceram em palco e já se ouve algo fantástico: a intro, parte da música Fallen Idol, é absolutamente majestosa. Os nossos heróis de hoje caminham em direcção ao público sedento de grandes temas e de autênticas orgias musicais, numa sala a rebentar pelas costuras.
          Brave New Century é o primeiro tema. Promete bastante. Bernard Butler a mostrar que a carreira a solo não lhe esgotou a criatividade e Brett Anderson a voltar aos tempos de “animal de palco” em que a adrenalina era única. Refugees é orelhuda. Corre um pequeno rumor de que será um dos singles e, se assim for, não é uma má escolha. É também trashy, rock de primeira índole… Imperfections não é perfeita. É até a menos boa das canções que compõe o alinhamento do concerto, mas tal é desculpável num momento tão prematuro. É demasiado parecida com… Obsessions. Alguns saberão o que quero dizer.
          O concerto entra agora numa nova fase, recheada de grandes temas indie (tanto pop, como rock). 2 Creatures é sensacional. Cresce a cada audição, conquista um cantinho do nosso coração e outro do nosso ouvido e quando damos por ela, já a estamos a ouvir umas três vezes por dia. Não se surpreenda se daqui a uns meses este tema andar nas bocas do mundo. A sua sonoridade pop pede uma boa produção aquando da colocação no albúm… Autograph é, muito provavelmente, a canção da década! Este tema muito smitheano é já o favorito dos fãs e, ao que parece, da própria banda. Absolutamente viciante, com Butler esgrimindo argumentos suficientes para ser considerado o melhor compositor pós-Marr. Um clássico, este tema.
          Co-Star é o swing perfeito. Brett Anderson vai dançando, tocando pandeireta, cantando como se atingisse a ataraxia em pleno palco. Momento do concerto: The Ghost Of You é apresentada. Brett havia prometido “material bem mais obscuro no próximo albúm” e aqui o deu. É um daqueles temas épicos ao bom estilo do que a dupla fez em 93/94. É arrepiante, quase fantasmagórico e paradigmático da maturidade da nova banda. O crescendo em que está envolta termina num sensacional grito de angústia. A mensagem, “é difícil seguir em frente enquanto o teu fantasma aqui permanecer”, é sublime.
          Feels Like Monday é um b-side perfeito. Antecipando Beautiful Pain, Brett provoca os fãs ao dizer “vocês parecem o público de Madrid”. O tema é também excitante, embora não pareça ter qualidade suficiente para figurar no LP a sair em Maio.
          Apollo 13 puxa dos seus galões e, para aqueles que conhecem a obra dos Suede, é como uma nova Asphalt World sem os 3 minutos de guitar solo de Mr. Butler. É majestosa, emocionante e muito forte. É o típico tema anti-single mas pró-fã hardcore. Extraordinária. The Lovers é original, muito agradável e arrisca-se a vender muitos albúns à sua conta, se for escolhida para single. Tempo para o encore e para a magnífica Love As Strong As Death. Bernard Butler passa para o piano, Mako e Nathan cessam funções na bateria e baixo, respectivamente e Brett Anderson puxará pela sua melhor voz em falsetto para fecharem o concerto. Antes de as primeiras notas soarem no piano, Brett despede-se dizendo que “para todos aqueles que vieram para ouvir músicas dos Suede, vocês estão no concerto errado!!”. Depois, são apenas 4 minutos de uma beleza inacessível a alguns ouvidos duros que compõem a audiência da MTV e do NME…