Segunda-feira, Julho 17, 2006

The Kooks
Inside In/Inside Out (2006)

Esqueça tudo, desde já. Esqueça as bandas com os The (Killers, Strokes, Artic Monkeys, Libertines, etc) e todas aquelas às quais estas foram comparadas (Beatles, Pulp, Smiths, Rolling Stones).
Os The Kooks são britânicos e têm the no nome, mas tudo o resto é muito diferente. Portanto vamos, desde já, à frase chave desta análise: Inside In/Inside Out é, muito provavelmente, um enorme candidato a melhor disco de 2006. E se tem Morrissey, Belle & Sebastian, Divine Comedy, Camera Obscura, Sondre Lerche e The Stills na concorrência e ainda assim mantém o estatuto, estamos perante algo.
Ponto 1: o disco é inesperadamente maduro. Os rapazes abrem as hostes com Seaside, uma anti-balada marinha, feita para aquecer os ouvidos com guitarras acústicas e vozes graves. Sofa Song é um mimo, uma canção peculiar, que nos enche confortavelmente o ouvido. Nisto, os Kooks fizeram mestrado: tentam não enlouquecer com quatro ou cinco instrumentos ao mesmo tempo, uma voz aguda e efeitos de produção. Normalmente, usam uma guitarra, uma voz forte e uma bateria para marcar o ritmo. Tudo o resto é decoração, parecem ter pensado os rapazes.
As lições de pop britânico, do puro, também não saltaram e prova disso é a extraordinária Ooh La, provavelmente a melhor canção do disco. Mas não acaba aqui: Naive, If Only, Jackie Big Tits e Got No Love são todas elas únicas, agradáveis e refrescantes.
A disposição para ouvir os The Kooks nem sempre é a melhor. O verão não dura todo o ano e no Inverno, faz mais sentido perto do Seaside. Os The Kooks não são a melhor banda do mundo, nem têm essas pretensões. Serão, isso sim, a banda que os The Libertines queriam ser, que os Razorlight ainda não são e que os Artic Monkeys nunca serão.
Provavelmente, a melhor banda sonora deste verão.

Link para o vídeo de Naive

Pedro Barbosa