Segunda-feira, Setembro 03, 2007

prendas ofertadas

estou a trabalhar em um órgão do governo brasileiro onde a rede tem limitações de acesso; desta forma, não posso ter programas p2p como o Soulseek e o eMule, tampouco entrar em páginas como o Rapidshare e o Megaupload, onde versões compactadas dos álbuns aparecem velozmente.

assim, minha única saída para ouvir um pouco de música é procurar blogs com links directos para ficheiros em mp3, para gravá-los no hd do computador e ouvir. eis, aqui, algumas críticas a temas que ouvi desta forma:

1. Pelle Carlberg - "I love you, you imbecile". antes de qualquer coisa, ponto para Pelle: esta canção tem um nome espectacular, especialmente quando se é apaixonado(a) por algum(a) imbecil que ignora tal facto. a voz masculina do sueco Carlberg canta em dueto com alguma rapariga que ainda não descobri quem é, numa canção pop que é das melhores coisas que ouvi este ano. nota 8 (não leva mais porque não vai mudar o mundo, tampouco me mudar).

2. Mäximo Park - "Girls who play guitars". anos atrás, ouvi o disco de estreia dos Mäximo Park, que um amigo de França tanto me recomendara. e a reação foi das piores: achei-o deveras fraco, sem um grande momento de inspiração ou um tema que os diferenciasse de tantas bandas "genéricas" a tentar a sorte no mundo pop. e desisti do Mäximo Park, até me ver atraído pela oferta desta canção com um nome bonito. pois bem: a despeito do nome bonito, a música é bem ordinária, bem miserável. nota 3.

3. Bright Eyes - "No one would riot for less". gosto dos Bright Eyes. em 2005, a banda de Conor Oberst lançou "At the bottom of everything", um dos melhores temas da década, embora o disco ficasse dois degraus abaixo. esta "No one..." é uma balada de acento folk, com uma bela letra que diz coisas como "pequeno soldado, pequeno insecto / sabes que a guerra não tem coração / e te matarás sob o sol / ou feliz na escuridão", antes de concluir: "estou deixando este lugar / não há nada que planeie daqui levar / excepto ti, excepto ti". nota 7, por ser um tanto arrastada.

4. St. Vincent, "Now now". esta banda de uma rapariga, cujo nome me escapa, é bastante apreciada por um amigo do Lago Norte, que me manda ficheiros dela com freqüência. esta "Now now" é o melhor tema que já ouvi da gaja, mas isso não quer dizer muita coisa, a não ser que "não é mau". nota 6.

5. Arab Strap, "Dream sequence". os Arab Strap são, a meu ver, uma banda bem subestimada: seu disco "Monday at the hug & pint", creio que de 2002, é um belo trabalho, e que foi muito pouco ouvido. essa "Dream sequence" troca o folk-rock que os "consagrou" por algo mais soturno, próximo aos temas góticos de vinte anos atrás e com um belo piano. fãs de Echo & the Bunnymen têm boas chances de se emocionar com o tema, que, acabo de descobrir, é de dois anos atrás. eis abaixo o vídeo da canção, que leva uma nota 9:



6. Andrew Bird, "Heretics". um dos preferidos do João Martinho, Andrew Bird, que fazia música de raiz estadunidense com seu colectivo Andrew Bird's Bowl of Fire, parece ter descoberto a guitarra elétrica agora que se apresenta como solista. esta "Heretics" é uma cópia do Pavement fase "Brighten the corner". o problema - ou a virtude, depende de como se observa - é que é uma belíssima cópia. nota 7.

7. Mika - "Relax, take it easy". pop descartável de qualidade, para mim, atende pelo nome de Maroon 5, cuja "Makes me wonder" é, desde já, um dos grandes temas do ano. o libanês Mika, paneleiro que estourou nos charts com a chatinha "Grace Kelly", tenta mais uma vez com esta "Relax, take it easy", e repete a fórmula: electrónica anémica, falsetes irritantes e a sensação de que algo na canção está em falta. deixa que eu respondo: falta talento. nota 2.

8. Air - "Once upon a time". há por aí quem creia que os Air nunca farão nada tão bom quanto "Moon safari", seu primeiro LP, de 1998 (geez, como o tempo passa...). por mim, aponto "Talkie walkie", de 2004, como o registo definitivo da dupla francesa. e por isso resolvi postergar pelo máximo de tempo possível a audição de "Pocket symphony", seu sucessor. esta "Once upon a time" é o primeiro tema que oiço, e já lá vão mais de seis meses desde o lançamento do álbum. o que sobra, aqui, é sensibilidade: o máximo de agressividade que um tema dos Air entrega equivale a passar por debaixo de uma árvore frondosa e ser atingido(a) por uma flor. há quem ouça música apenas pela agressividade e pelo nervosismo possibilitado (olá, fãs de Metallica). e há quem queira beber toda a água destes oásis de sensibilidade - é o meu caso. nota 8 (uma pena que também não mudou minha vida, senão mereceria um 10).

9. Beirut - "Elephant gun". outro preferido do meu amigo do Lago Norte, o Beirut mistura ritmos do leste europeu ao folk-rock ocidental - pense numa camponesa romena a prostituir-se no Chiado ao som de Bob Dylan. pensaste? bem, não é exactamente assim, mas quis que imaginasses a cena. "Elephant gun" lembra-me de almoços dominicais regados a espaguete, céus de amarelidão infinita, placidez, relvados a necessitar de corte, sumo de uva e um monte de outras coisas. apesar de tudo, não é tão especial. nota 6, mas admito que pode melhorar com o tempo.